Eu me lembro da vez em que recebi a notícia de que ia ser pai pela primeira vez.

Tinha 27 anos, não era casado e tudo o que possuía eram dívidas e um carro financiado.

Apesar de ter morado a vida toda com meus pais até aquela idade e ter ganho sempre acima da média em todos os empregos por onde passei e negócios que montei, eu não tinha dinheiro guardado e tampouco aplicado em investimentos.

Além disso, eu também me sentia uma pessoa pouco realizada e incompleta na minha profissão.

Apesar de em breve me tornar pai, ainda não me considerava homem dentro daquilo que eu acreditava ter potencial para fazer.

Como diziam meus pais, até aquele momento, eu tinha levado a “vida na flauta”.

Essa era a verdade.

Eu era um classe média medíocre dirigindo um Honda Civic 99 financiado, indo a festas quase todos os dias e comprando roupas que julgava deixar melhor a minha aparência.

Uma realidade bem próxima da de qualquer membro da classe média brasileira que luta para manter o seu status na sociedade como bons pagadores de contas…

Um breve retrato da classe média que não sabe ganhar dinheiro

Um recente estudo publicado no mês passado pela Serasa revelou que a classe média movimenta 58% do crédito e injeta R$ 1 trilhão na economia todos os anos se tornando o principal público consumidor do país adquirindo tanto bens individuais (viagens, notebooks, tablets, smartphones) como bens familiares (móveis, eletrodomésticos, carros, imóveis).

Estima-se que em 2033 apenas 9% dos brasileiros pertencerão à classe baixa contra os 24% atuais, fazendo o número de brasileiros na classe média aumentar de 54% para 58% e de 22% para 33% na classe alta.

Apesar dos belos números, ficam no ar as seguintes perguntas:

  • Será que a classe média está feliz com este aumento do poder econômico?
  • Será que ela está contente com os serviços públicos que utiliza e com a infraestrutura oferecida pelo país?
  • Será que ela está realizando seus sonhos ou apenas satisfazendo alguns desejos pontuais de consumo?
  • E o futuro dos seus filhos? Estão garantidos ou a classe média precisa se esforçar ainda mais para mantê-los na posição social que conseguiram alcançar?
  • Qual o valor da riqueza para a classe média? A prisão do consumo ou a liberdade de escolha que praticamente não existe?

O estudo complementa, que o maior número de membros da classe média (39%) faz largo uso do crédito a que tem acesso, focando nas prioridades, geralmente vinculadas ao bem-estar familiar.

Classificados como batalhadores, eles gastam seu dinheiro em turismo nacional, veículos, eletroeletrônicos, imóveis, móveis, eletrodomésticos e seguros e tem como produtos e serviços de desejo, viagens de avião para destinos nacionais, móveis para casa, máquina de lavar, TV (Plasma, LCD e LED), imóvel e carro.

Ou seja, apesar do poder econômico que esse grupo adquiriu, ele está parecido comigo aos 27 anos:

  • Utilizam o dinheiro para satisfazer seus desejos mais imediatos.
  • Vendem seu tempo em troca de um salário no final do mês que lhes possibilite pagar as dívidas assumidas.
  • Não possuem dinheiro guardado ou aplicado de nenhuma forma.

Resumindo, a classe média é uma massa gorda da economia brasileira que nada mais faz além de pagar contas.

5 algemas mentais que aprisionam você à classe média

Depois que eu descobri que ia ser pai e confrontei a realidade sobre a qual estava fundamentada a minha vida, entrei em um processo de libertação das algemas que me mantinham preso aquela vida medíocre.

Hoje com 35 anos e quatro filhos, moro em uma cidade que oferece uma melhor infraestrutura para mim e para minha família em uma casa própria super confortável e trabalhando naquilo que sou apaixonado à frente das minhas empresas.

Não foi necessário que eu ganhasse na Mega-Sena para me sentir mais realizado e fora da corrida de ratos da classe média.

Eu tive apenas que reconhecer que precisava mudar aquela vida estruturada em valores e crenças que não tinham como objetivo a minha liberdade.

Eu poderia escrever um livro sobre os pontos que examino abaixo, mas compartilho resumidamente neste artigo as algemas que me mantiveram preso na classe média e que provavelmente também estão mantendo você e sua família nesse cativeiro.

Algema 1: O futuro a Deus pertence

casal de idosos se olhando sem ganhar dinheiro

“Preparar o futuro significa fundamentar o presente.” ~ Antoine de Saint-Exupéry (Tweet Isso)

Você sabe o que você vai estar fazendo aos 70 anos? Com quem você vai estar ou qual será a sua contribuição para o mundo?

Apesar de muitas pessoas acreditarem que a vida acaba um pouco antes dos 70 anos, a expectativa de vida no Brasil atualmente é de 74,6 anos conforme estudo do final de 2013 publicado pelo IBGE.

Será nessa idade que você não terá mais o pique dos vinte e poucos anos quando conseguia sair à noite, beber e ir trabalhar no dia seguinte.

Eu já fui casado três vezes antes desse casamento que estou agora e também já fui empregado e participei de negócios em inúmeras empresas de diferente ramos fazendo coisas diferentes. Foi durante esse tempo que eu levava a “vida na flauta” e vivia a vida sem limites.

Só quando acordei aos 27 anos e comecei a pensar no meu futuro é que escolhi alguém certo para casar e um trabalho que me permitisse ser mais feliz e autêntico. E é por pensar que daqui a trinta anos viajarei o mundo com a minha atual esposa para estudar e escrever livros que permaneço onde estou construindo a minha família e a minha carreira.

Sempre surgem novas “oportunidades” que não me abalam como antes porque mantenho o foco naquilo que decidi para o meu futuro. Quando uma “oportunidade” nova surge, me pergunto: Isto tem a ver com o que planejei para o meu futuro?

Algema 2: É preciso aproveitar enquanto é tempo.

homem pensando sem ganhar dinheiro

“Saiba que são suas decisões, e não suas condições, que determinam seu destino.” ~ Anthony Robbins (Tweet Isso)

Vale mesmo à pena participar daquela promoção onde você compra uma televisão para ganhar outra caso o Brasil seja campeão da Copa do Mundo? Ou comprar aquele carro mais bonito só para desfilar para os vizinhos do condomínio?

Na maioria das vezes não tomamos as melhores decisões porque não estamos comprometidos com uma visão de longo prazo. Assumimos dívidas e compromissos desalinhados com os nossos objetivos de vida porque estamos com a atenção voltada para a satisfação dos desejos presentes.

Um bom exemplo é quando compramos um carro que já é caro quando pago à vista e que fica ainda mais caro quando pago à prazo só porque desejamos ter um carro melhor do que aquele que temos agora.

Enquanto um brasileiro paga US$ 28,6 mil por um Astra, o europeu, com o mesmo valor (US$ 28,3 mil) compra um BMW 3 Series. Sem falar nos juros de financiamento, onde a média cobrada no Brasil é de 25% (ao ano), enquanto na Alemanha são 4%, nos EUA 8% e no Japão 6% conforme citado em uma reportagem recente do portal Terra.

Seth Godin, guru do marketing mundial, disse:

  • Quem determina a forma como reagimos às coisas que acontecem com a gente?
  • Quem escolhe a mídia que consumimos?
  • Quem decide o que começamos e o que abandonamos?
  • Quem decide que tipo de coisas investimos ou não?
  • Quem procura alguém para culpar?

Continua: “Em uma cultura onde mais e mais escolhas são tiradas das mãos daqueles que se identificam como consumidores ou engrenagens do sistema, os adultos ainda possuem algumas das responsabilidades mais importantes de todas.”

Distraídos, tomamos decisões precipitadas que comprometem nosso tempo e dinheiro sem avaliar o impacto destas decisões no nosso futuro e no da nossa família. Por isso a classe média está presa a objetos, salários e financiamentos que estão corroendo o seu poder pessoal, a sua saúde e o avanço dos seus membros para classes sociais mais acima.

Algema 3: O tempo é curto.

despertador no chao de quem não sabe ganhar dinheiro

“Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito.” ~ Pitágoras (Tweet Isso)

Você já parou para perceber que Bill Gates aos 19 anos viveu o mesmo número de horas que você viveu também aos 19 anos?

A diferença entre a vida dele, a minha e a sua, é que ele utilizou seu tempo de forma diferente de nós, pois até os 27 (8 anos depois) eu ainda estava tentando me encontrar enquanto ele aos 19 fundava a Microsoft, empresa que hoje tem quase 40 anos e foi avaliada em US$ 238.784 bilhões em 2010.

Não há nada de errado em ser empregado, inclusive tem muito dono de empresa que é empregado do seu próprio negócio, mas a principal chave para quebrar essa algema que te mantém preso à classe média é compreender que o tempo é um ativo limitado, que depois que usamos ou vendemos o nosso tempo não temos como recuperá-lo.

Sendo empregado ou trabalhando como prestador de serviços para outras pessoas, você precisa ter em mente que deve se aperfeiçoar para aumentar o valor da sua hora ou criar um sistema de trabalho envolvendo delegação de tarefas a pessoas e softwares que multiplique a quantidade de horas que você consegue entregar para seus clientes.

Um dos meus principais erros na carreira foi vender as horas que tinha quando era mais jovem para receber um bom salário ou ter aberto uma empresa de prestação de serviços onde eu era o meu principal empregado.

Algema 4: Segunda-feira é pior dia da semana.

não fazer o que gosta é não saber ganhar dinheiro

“A escravatura humana atingiu o seu ponto culminante na nossa época sob a forma do trabalho livremente assalariado.” ~ George Bernard Shaw (Tweet Isso)

Você hoje é melhor naquilo que faz hoje do que era ontem? Você está planejando aprender um pouco mais sobre aquilo que trabalha hoje no dia de amanhã?

55% dos profissionais do mercado não estão satisfeitos com o seu trabalho como revelado em uma pesquisa recente da empresa 4Hunter Consultoria.

Isso revela que 55% do mercado não está evoluindo como poderia estar, porque como seus membros não gostam daquilo que fazem acabam tendo menos interesse em melhorar na profissão que aqueles que gostam. Todo mundo perde.

Se você gosta de cozinhar, provavelmente é o primeiro a entrar na cozinha no dia de domingo e o último a sair. Você pesquisa novos pratos na internet para fazer para seus convidados e compra de vez em quando um novo acessório ou livro para lhe auxiliar nesta tarefa.

Por gostar daquilo que você faz você se interessa, vai atrás de novas informações se dedicando continuamente em melhorar suas habilidades culinárias.

Quando estava começando a minha carreira profissional, minha família me indicou uma que “dava mais dinheiro” e não me fizeram dar atenção aquilo que eu dissera gostar mais de fazer: estudar. Quando eu era pequeno dizia que queria ser pago para estudar. Não sabia como, mas de alguma forma eu queria que as pessoas me pagassem para eu apenas estudar.

Só muito tempo depois (cerca de 20 anos) eu consegui chegar próximo daquilo que eu desejava quando criança porque me esforcei para me libertar daquela algema que me mantinha preso à classe média, que tem como objetivo familiar encontrar uma profissão que dê dinheiro ao invés de uma que dê satisfação.

É por esse motivo que temos médicos, engenheiros, advogados, técnicos e toda a sorte de profissionais, medíocres, que entraram na profissão para ganhar dinheiro e não porque gostavam. Eu mesmo fui um técnico medíocre durante muito tempo. Eu era bom, nas não espetacular.

Tudo o que escrevi até aqui neste artigo é fruto de horas de pesquisa navegando na internet, estudando e fazendo um “trabalho de escola” para transmitir o melhor conteúdo para você que acompanha o blog e, no caso deste artigo, deseja se libertar das algemas mentais que prendem você e a sua família à classe média.

Fiz do hobby de “fazer trabalhos escolares” uma profissão, aperfeiçoando a cada dia a forma de explorar, transmitir e rentabilizar um conteúdo.

Se eu colocar em perspectiva, os últimos 6 anos que passei trabalhando para me tornar o profissional que eu almejava ser na infância trouxeram cinco vezes mais resultados que os primeiros 15 anos de carreira onde fui um técnico e empresário medíocre que tinha como único objetivo de vida o dinheiro.

5) Dinheiro não traz a felicidade!

cartão de crédito não dá para ganhar dinheiro

“O dinheiro não traz felicidade — para quem não sabe o que fazer com ele.” ~ Machado de Assis (Tweet Isso)

Como não traz? Não seria ótimo que você pudesse ficar em casa quando seus filhos estivessem doentes? Ou poder ir no café da tarde de aniversário daquela tia-avó que tem 89 anos, que você adora e que sabe que talvez esse possa ser o último aniversário que ela vá comemorar? Ou ainda ter tempo para colocar aquela conversa em dia com a sua esposa ou com o seu marido?

Dinheiro é sim uma ferramenta poderosa para sustentação da felicidade.

É quando estamos mais tranquilos em relação ao dinheiro que nos permitimos planejar melhor um novo projeto, assistir aquele filme que nos recomendaram ou simplesmente resolver os problemas do dia a dia que acontecem dentro de casa e nas nossas empresas.

É por causa de pensamentos como esse que a maioria das pessoas não estuda sobre o tema finanças. Não sabem administrar o próprio dinheiro e tampouco utilizar o próprio sistema econômico para gerar mais receita para si. Pensam que economia é juntar dinheiro na poupança enquanto paga todas as contas do mês dentro do vencimento.

O crédito está corroendo o poder econômico da classe média enquanto engorda a conta bancária dos bancos.

O patrimônio líquido do banco Itaú no segundo trimestre de 2013 atingiu R$ 75,8 bilhões, crescimento de 1,8% em relação ao trimestre anterior fechando o primeiro semestre daquele ano com o segundo maior lucro da história dos bancos, perdendo apenas para ele mesmo em 2011.

Dentre os fatores que contribuíram para este crescimento, estão a alta de 13,5% dos empréstimos consignados e 8,7% dos financiamentos imobiliários, além do crescimento de 15% a 18% nas receitas com prestação de serviços e resultados com seguros, previdência e capitalização, um dos piores destinos para o dinheiro da classe média.

Traduzindo, a classe social que mais consome no país, paga os juros que engordam o lucro dos bancos que utilizam essa falta de educação financeira para vender produtos e serviços que só ajudam a apertar esta última algema no pescoço de quem não sabe:

  • lidar com dinheiro;
  • trabalhar no que ama;
  • utilizar o tempo a seu favor;
  • tomar boas decisões; e
  • planejar o futuro.

É como se a classe média fosse um adolescente de 27 anos que se acha o “rei da cocada preta” enquanto se contenta com as esmolas de prazer que sua pobre vida lhe oferece a cada final de semana.

Aspirante a escritor, palestrante, coach, empreendedor, consultor de negócios, desenvolvedor WordPress, praticante de jiu jitsu e definitivamente uma pessoa fora da caixa. Desde 2008 mantém este blog com o propósito de ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem donas do próprio nariz. Saiba mais.

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