A influência da família na escolha profissional

A autora Dulce Helena Penna Soares Lucchiari explica em seu livro A escolha profissional: do Jovem ao Adulto como dá se a influência familiar na escolha profissional. Ela explica que em muitas situações a família busca uma ascensão social através dos filhos e da profissão escolhida por este. Portanto o jovem costuma apresentar um conflito entre o que ele realmente gosta de fazer e a profissão escolhida por sua família, por ser melhor reconhecido socialmente.

Este é um guest-post de Bia Mendonça, coach à frente do projeto Rumo Coaching que tem como finalidade auxiliar jovens a encontrarem o melhor rumo nas suas vidas.

A expectativa dos pais, por sua vez, vai além da escolha profissional, sendo percebida nas diversas áreas da vida. Eles não só esperam que o filho obtenha um diploma, como que ele tenha um retorno financeiro, que formem uma família, tenham um bom emprego e assim sejam muito “felizes”! Mas nem sempre essa é a melhor proposta para os filhos num ambiente onde os valores estão mudando muito rapidamente, como na nossa sociedade. Hoje, a valorização pessoal se dá através do status adquirido, onde o jovem, influenciado por suas próprias idéias, busca na profissão uma forma de se sentir mais valorizado.

Em muitos casos o fato dos pais por algum motivo não terem conseguido algo que esperavam faz com que eles influenciem os filhos para trilhar esse mesmo caminho não trilhado por eles próprios. Numa dinâmica um jovem relatou:

“Meu pai me diz que devo seguir o que quero fazer, porque seus pais não permitiram que ele fizesse arquitetura que era o grande sonho dele. Então eu quero fazer uma faculdade, eu quero fazer arquitetura”.

Pode-se perceber que mesmo que o pai não diga o que exatamente o filho deve fazer, este acaba percebendo com suas ações e atitudes e assumindo esse papel. A atitude dos pais está também relacionada com a experiência que eles tiveram no momento da escolha deles. No entanto, um pai que não queira influenciar e negligencie esse momento pode ser interpretado pelo jovem como uma falta de atenção, carinho e amor.

Essa influência também acontece de acordo com a ordem de nascimento dos filhos. À medida que for lendo, tente identificar onde você se encaixa, e quais modelos de amigos e familiares você percebe esses padrões.
O filho mais velho é aquele que os pais depositam maiores expectativas. São eles que devem cumprir os projetos dos pais. Em geral, são os mais cobrados pelos pais em relação a notas escolares, vestibular e outras responsabilidades que são impostas muito cedo a esses. Eles acabam muitas vezes reduzindo seu tempo de brincadeiras pois acabam ajudando os pais a cuidar dos outros filhos, em alguns casos até financeiramente os forçando a assumir um posto de trabalho antes da hora.

O filho do meio, procura ultrapassar o irmão mais velho colocando isso como meta, mas essa é inalcançável e isso faz com que ele sofra a vida inteira. Eles parecem ser mais livres de pressões paternas e em geral mostram mais coragem para assumir sua escolha ocupacional, mesmo quando não aprovados pelos pais. O filho do meio passa a ser o conquistador e precisa estar sempre se reafirmando como diferente do irmão.

O filho caçula se sente também muito pressionado por recair em si todos os desejos não realizados pelos outros filhos. Esse fato ajuda a colocá-lo numa posição de salvador da pátria e confiar-lhe muitas vezes uma posição que ele não tem capacidade par assumir. Os pais costumam ser mais permissivos com o terceiro filho, tornando-os mimados. Outra característica marcante é a luta por um ideal, mas se ele o alcança, acha que não era bem aquilo que queria. São pessoas voltadas para o futuro, promissoras em seus ideais quando crianças e nem sempre realizadas quando adultos.

O filho único por sua vez carrega em si toda a expectativa dos pais, não podendo dividi-la com outros irmãos.

Escolher a profissão é por sua vez, muito difícil, quando a vontade é divergente dos desejos dos pais. A escolha pode também estar relacionada a algum trauma ou evento ocorrido na vida do indivíduo, como a perda de um familiar pode levar a um aprofundamento na área da saúde, como é o caso do fundador da academia de mulheres Curves que perdeu a mãe de infarto fulminante e se dedicou a melhorar a saúde das mulheres.

A relação estabelecida pode levar as pessoas a assumir papéis que nem sempre condizem com suas reais potencialidades e talentos e é muito importante essa reflexão e, se possível, a ajuda de um orientador que está numa posição neutra e tem capacidade para apoiar nessas decisões cruciais da vida de cada um de nós.


Conteúdo extra: baixe o livro Como Investir Começando do Zero e aprenda como funciona o mundo dos investimentos (recomendado para pais e filhos).