Uma casa não se constrói pelo telhado

Ainda me lembro do dia em que um dos professores de jiu-jitsu da academia me chamou para fazer um teste comigo e ver como eu estava.

Deitado no chão, ele abriu a sua guarda, pedindo para que eu ficasse de joelhos dentro dela e tentasse sair.

Acho que era a minha primeira ou segunda semana na academia e, apesar de já terem me explicado como sair da guarda, eu fazia um esforço imenso e nada acontecia.

O professor ficava me olhando debaixo, esperando meus “ataques” enquanto eu me contorcia dentro das suas pernas tentando abrir o cadeado da sua guarda.

A minha cara devia demonstrar a força que eu estava fazendo para sair dali, mas isso não foi o pior.

O pior foi depois de todo o meu esforço naqueles vinte segundos iniciais do teste, o professor começar a me jogar de um lado para o outro feito um saco de dormir.

Ele dava leves tapinhas com as pernas dos meus joelhos e eu caía de um lado para o outro como quem tenta ficar de pé em bolas de gude.

Depois dessa sessão de joga pra lá e joga pra cá, o professor abriu a guarda e começou a me suspender no ar apenas puxando os meus braços e erguendo-me com seus pés nos meus quadris.

Eu voava feito saco plástico de um lado para o outro enquanto o ouvia dizer: “Cadê a sua base? Cadê a sua base?”

Aquelas perguntas entraram pelos meus ouvidos e seguiram até o meu coração.

Enquanto eu ia de um lado para o outro, minha mente começou a refletir em todos os meus últimos trinta e poucos anos de vida e a observar que realmente eu não tinha base nenhuma.

Nem no tatame e nem na vida.

Aquilo foi mais que um teste de jiu-jitsu para mim.

Para você ter uma base firme no jiu-jitsu você precisa sempre alinhar a sua cabeça com os seus joelhos.

Quando a cabeça está à frente dos joelhos, você tomba.

Quando a cabeça está atrás dos joelhos, você tomba.

E o que tem isso a ver com a vida?

Tudo.

Nós só podemos progredir na vida se antes fundamentamos a nossa base.

Cabeça no futuro (na frente dos joelhos) base (presente) ruim.

Cabeça no passado (atrás dos joelhos) base (presente) ruim.

A maioria das pessoas ou está ansiosa pelo o que está por vir ou culpada pelo o que já passou, mas só progride na vida (ou no jiu-jitsu) quem mantém a cabeça no presente, que é onde, efetivamente, as coisas realmente acontecem.


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