Categoria: Propósito & Missão (Página 2 de 12)

Viver é um constante teste de validação de premissas

Atualmente estou fazendo testes de validação em quatro negócios em paralelo. Quatro ideias que tive, mas que antes de torná-las realidade, resolvi praticar o ensinamento básico para criação de empresas enxutas (ou lean startups) e marketing digital que é o “validation test” (ou teste de validação). Neste processo de validação das minhas premissas de negócio, descobri o real significado do trabalho com inteligência e enfrentei alguns sentimentos interessantes que provavelmente devem passar pelo coração de outros empreendedores e que gostaria de compartilhar com você neste post.

validation-test

Assumindo as incertezas

Uma das coisas mais interessantes que notei ao colocar meu teste de validação à prova, foi ter de assumir que talvez eu estivesse errado. Apesar de eu sempre sugerir por aqui que é muito importante testarmos nossas premissas antes de investirmos em um negócio, colocar aquela ideia “fantástica” à prova sabendo que ela não pode ser aceita pelo mercado é algo doloroso para o dono da ideia. Eu senti esta “dor” estes dias justamente na validação de um produto para estes site (o meu projeto mais amado) e pude concluir que o fato desta “dor” ter existido é que eu, criador e futuro consumidor da ideia, gostei tanto dela que não era possível que outras pessoas não fossem querer também. Cheguei a pensar que não era sequer necessário testar a demanda do mercado, tamanho o valor que eu enxergava na ideia. Ora veja você, um cara que já fez vários testes na vida e que já acertou e errou tantas vezes estava ainda se apaixonando cegamente por uma ideia genial que ele teve! Isso não podia estar acontecendo, mas aconteceu.

Evidentemente, pela minha experiência, segurei a onda e resolvi verificar a demanda pela minha ideia genial, percebendo que o que me motivava a burlar esta “lei” era o fato de eu querer trabalhar na minha ideia somente por trabalhar. Soou o alarme, congelei.

Trabalho duro e burro

Por pouco não comecei a empreender em um trabalho duro e burro como já fiz tempos atrás onde por gostar do que estava fazendo, passava por cima dessas leis primordiais do marketing. Às vezes, nós gostamos tanto de trabalhar naquilo que fazemos, que nos esquecemos (ou queremos esquecer) que precisamos vender o nosso trabalho, fruto das nossas brilhantes ideias para alguém. É como ficar louco de paixão por aquela pessoa maravilhosa e querer arriscar tudo por ela como se ainda tivesse dezessete anos de idade. Não podemos nos deixar levar pelas paixões, até mesmo pelas nossas próprias ideias ou pelo nosso próprio trabalho.

Foi assim que resolvi me informar mais sobre o que eu pretendia fazer, me conectando a pessoas que já tinham feito aquilo que eu já fiz ou que pelo menos já haviam lido a respeito, ou consultando blogs, vídeos e livros na internet. Segurei a onda de verdade, aperfeiçoei minhas estratégias e domei meus cavalos que queriam correr por aí se enfiando em qualquer trabalho só porque gostavam dele.

Confrontamos nossas certezas a todo o momento

Essa pequena experiência inicial me lembrou do fato que viver é um confronto constante com as nossas certezas. Percebo isso não só na minha vida, mas também na vida das pessoas com as quais converso e dos meus clientes tanto de negócios como de tecnologia. Somos nós, ou melhor, nossas cabeças que determinamos as premissas pelas quais vivemos. Assumimos que nossas ideias são boas com base nas nossas paixões por elas e vamos em frente, de cabeça baixa, sem olhar para trás. Não sei se isso já passou pela sua cabeça, mas você já se questionou a respeito de quantas burradas você fez porque simplesmente se apaixonou por algo? Um carro, uma empresa, um trabalho, uma pessoa, etc? Que essa burrado não sofreu nenhum teste de validação e por conta disso e dos efeitos de persuasão que nós mesmos nos impomos seguimos burramente adiante até que a crise se instaurasse? Quando penso nisso, quero fazer uma lavagem cerebral para deixar minha mente limpinha e brilhante, sem preconceitos.

A vida é uma experiência e a analogia de um jogo de vídeo-game cabe bem aqui. Estamos controlando um personagem que tem desejos e paixões de querer fazer isso ou aquilo a qualquer custo. Esse personagem já se acostumou também a executar tarefas de determinadas formas e procura as mesmas experiências confortáveis que sempre teve em todas as áreas da vida. Se nós não validarmos as premissas de comportamento dos nossos personagens, eles irão sair pelo mundo afora sem controle fazendo aquilo que sempre fizeram com base nas suas paixões e não no seu raciocínio.

O trabalho inteligente comanda. O burro, é comandado.

Perceba por um momento se aquilo que você está fazendo atualmente é um trabalho burro ou inteligente. Se estiver fazendo uma atividade por obrigação, necessidade ou paixão, provavelmente está executando um trabalho burro, pois o trabalho está sob o comando das suas necessidades. Já se estiver fazendo um trabalho que tem um fim, um propósito, que gera resultados para você e para os outros e que você se sente bem e ganha bem fazendo isso que faz, então está fazendo um trabalho inteligente.

Infelizmente, para que a “massa” fique sob controle é preciso instaurar um hábito comum na sociedade de manter-se em movimento mesmo que não se saiba para onde se está indo. Colaborando com este hábito ainda está o mito de que o trabalho é algo ruim e que deve ser feito de maneira dura e firme para que dê certo em oposição a realidade de que cada vez mais nascem empreendedores que fazem menos com um melhor nível de resultado.

Está aí um bom livro para lançar: Vida Enxuta – Como as pessoas de hoje usam a inovação contínua para criar radicalmente uma vida de realizações! (Parafraseando o título do livro The Lean Startup)

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Faça algo acontecer

Eu me deparo com muitas pessoas adiando aquilo que elas já poderiam ter feito. Outras criticando muito aquilo que as outras estão fazendo. Entre esses dois tipos de pessoas, estão as pessoas que vão lá e fazem, erram, dão a cara a tapa e fatalmente falham. A diferença crucial entre as pessoas que fazem e as que não fazem, é que as que fazem aprendem e as que não fazem, param no tempo.

Receba todas as críticas como um presente

Todas as críticas, mesmo as piores, são um presente. Todas elas são um sinal de que aquilo que você se propôs a fazer atingiu alguém. Isto é muito, muito, muito bacana e devemos mesmo agradecer a isso. Faz uma semana que iniciei meus projetos de vídeo no meu canal no YouTube. Comecei com uma câmera muito ruim e um áudio péssimo. Depois passei para uma câmera boa, mas o áudio longe do ideal. As críticas vieram evidentemente, mas todas apoiando o fato de eu estar fazendo algo. Hoje já planejo comprar equipamento de iluminação e um microfone melhor para que a minha mensagem chegue sem ruído no meu público. Começar algo e agradecer as críticas é valioso e você, quando começar algo, deve se manter atento nisto.

Melhore velozmente

Não basta iniciar algo novo para somente fazer acontecer, é preciso melhorar rapidamente aquilo que se está fazendo. Sempre inicio os meus projetos planejando o mínimo de recursos que preciso para executá-los. Se a execução requer um investimento muito grande para iniciar, já percebo que estou trilhando o pior caminho para concluí-la. Quando comecei a criar os vídeos, comecei só para ter experiências e melhorei rapidamente na medida que ia avaliando aquilo que eu havia feito. A resposta do público foi imediata. Muitas pessoas incentivaram e vibraram pelas melhorias. Realmente enriquecedor. Se eu tivesse demorado para melhorar não teria conseguido um engajamento do público tão grande. O público sabia e sabe que eu estou fazendo sempre o meu melhor. São os meus clientes! É nisto que você deve pensar quando estiver à frente da sua empresa. É preciso melhorar rápido para se adaptar as circunstâncias demonstrando para os seus clientes que você sabe o que está errado e faz de tudo para entregar algo melhor para ele.

Faça pela experiência. Faça por você.

O maior privilegiado por eu estar criando vídeos e escrevendo artigos para a internet não é o meu público. Sou eu mesmo. Assim como também sou eu o maior privilegiado por abrir o meu próprio negócio. E não pense que é porque eu lucro dinheiro com isso, mas porque eu me permito experienciar coisas novas, errar e também acertar. Acumulo experiência e me engrandeço como profissional dentro do caminho que escolhi para a minha carreira. Se você não faz nada para obter experiência ou faz esperando sempre uma resposta do seu público, está indo pelo caminho errado. Escolha fazer as coisas pelo simples fato de fazê-las e o retorno interior e exterior é garantido.

Inspire-se a fazer algo pela sua própria vida, pela vida dos outros e pela sua carreira. Não adie aquilo que você pode fazer hoje por conta de um equipamento ruim de iluminação ou de áudio, de um computador ruim ou então porque não te deram oportunidade. A oportunidade já é dada a todos nós, todos os dias. São 24 horas por dia que cada um de nós temos para fazer aquilo que precisamos fazer por nós para atingirmos a nossa felicidade. O resto vem em consequência do trabalho, da disciplina e da paixão.

Faça algo. Faça hoje.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Por quê viver?

Outro dia eu perdi tudo.

Perdi dinheiro.

Perdi casa.

Perdi família.

Perdi os amigos.

Quando dei por mim estava só.

De alguma forma eu havia guiado a minha vida para um lugar onde não existia ninguém.

Foi aí que comecei a me questionar a respeito das razões de eu ainda estar respirando.

Afinal, não existia mais nada para fazer.

Eu não tinha mais nada e continuava vivo sem motivo aparente.

Todas as coisas boas que eu tinha feito tinham sido apagadas pelos erros momentâneos que cometi.

Tudo o que eu havia ganho com o meu trabalho sumiu mais rápido que o tempo que levei para conquistar.

Tudo aquilo que eu imaginava que as pessoas pensavam ou sentiam sobre mim, se mostrou ser totalmente o contrário!

Por quê então viver?

Que sentido há em algo que não serve para nada, não te leva a lugar nenhum e não te dá nenhum retorno?

Estaria eu enganado?

Do nascimento até a morte

Nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e morremos.

Desde o momento que nascemos começamos a morrer.

Queremos viver felizes, mas uma situação ou outra sempre atrapalha a nossa felicidade.

Conversamos e expomos as nossas ideias, mas são nos momentos (pequenos momentos) de discussão que falamos e escutamos o que não devia.

E é assim até o dia que a gente morre.

Durante esse período vamos usando materiais para vestir o nosso corpo, nos relacionamos com outras pessoas, desde nossos pais até nossos filhos, e fica nisso.

Tudo passa e nada se mantém.

Daí enxergamos que estamos vazios

A roupa emprestada, o relacionamento na corda bamba e os filhos que saem pela porta da frente, nos dão aquele vazio.

Tudo está vazio.

Não levamos nada para lugar algum.

Ficamos o tempo todo em movimento, mas em nenhum momento estamos agindo.

E assim somos bolas vazias, cheias de nada, perambulando pelo planeta em busca de um sei lá o que.

Pensar nisso entristece, emagrece e faz com que a morte nos pegue mais rápido.

Afinal, de quê adianta estar presente em algo se no fim, estamos vazios.

Mas estar vazio é o que nos engrandece

Imagine-se sem nada.

Sem família, sem dinheiro e sem amigos.

Seja onde você estiver, perceba agora que provavelmente você só está carregando uma roupa pendurada no seu corpo, alguns papéis e cartões de plástico na carteira, um relógio no pulso, alguns enfeites na cabeça e só.

Reflita agora sobre o que você está fazendo.

Está lendo esse texto olhando para a tela de um computador ou um celular e sem fazer mais nada, perceba que todo o seu passado só existe nas lembranças que você decidiu guardar e que o seu futuro só existe nos desejos que decidiu cultivar.

O que você realmente é?

Você é um nada.

Uma grande bola vazia de nada lendo algo sem saber direito o motivo, da mesma forma que eu sou um nada escrevendo algo sem saber direito a razão.

Eu jogo as experiências para você enquanto você joga as experiências para mim.

Se encontrar nessa condição de vazio nos dá muito poder ao contrário do que eu, no início deste texto, imaginava pensar.

Se não temos nada e continuamos respirando é porque é esse vazio que nos mantém.

Nos mantém vivos para perceber que todo o resto que criamos de obrigações, quereres e culpas são frutos da nossa própria imaginação e não pertencem realmente a realidade dos fatos.

Que realidade?

A realidade de que somos meros balões vazios perambulando pelo planeta nos colocando em movimento para treinar esta real percepção da vida.

Falando dessa forma parece que eu já atingi um nível de perceber a cada segundo da minha existência esse poder do vazio, mas as lágrimas de dor das inúmeras perdas e a impotência da não conquista dos objetivos, me mostram que apesar de ter tido um lampejo do “segredo” para viver bem e feliz, na realidade eu preferia não estar mais por aqui.

Como diz o ditado popular “Deu pra bolinha”.

Mas se somos vazios porque fazer tantas coisas e se mover?

Esta resposta é mais complicada porque ainda não cheguei a uma conclusão.

Existe um ensinamento taoísta que diz para “agir pelo não agir” e que apesar de eu já ter refletido bastante sobre isso, ainda não aprendi o “segredo” por trás desse pensamento que tanto me cativa desde criança.

Parece que o seu poder só é despertado quando a todo momento você age pelo não agir.

Se em um momento determinado você agir, “babau”.

O mundo vira contra você e todo o poder que você acumulou praticando o “agir pelo não agir” vai por água abaixo.

Não é muito interessante que os nossos erros possuam um peso muito maior que os nossos acertos?

Não imagino que os criminosos durante toda a sua vida foram pessoas que só fizeram maldade.

Da mesma forma não imagino que eles hoje passem 99% do dia fazendo maldades.

O que acontece é que a maldade que eles cometem têm um impacto e peso muito maior que as suas bondades.

Por quê então viver e se mover?

Viver, na minha estreita concepção, é um exercício para que percebamos o que somos.

A única ciência que deveria ser estudada é a do autoconhecimento, pois é esta que garante poder infinito para cada um de nós.

As demais ciências são apenas distrações para o nosso intelecto e para a nossa imaginação.

Nos movemos e agimos porque temos desejo e culpa.

Vivemos porque somos curiosos em aprender o que há no vazio do balão que somos.

Cortar os pulsos, se jogar de um prédio ou tomar veneno terminam com a nossa busca e o balão que somos sucumbe a imaginação que cultivamos a respeito do futuro e as lembranças do nosso passado.

Foram tantas perdas que eu já perdi uns vinte anos de vida mesmo querendo viver até mais de cem anos.

E talvez seja essa esperança de viver que me mantenha vivo persistindo apesar das perdas.

Mais uma vez este espaço serviu mais como terapia para que eu continuasse vagando, do que como inspiração para aqueles que continuam como eu, soltos pelo planeta.

Obrigado pela leitura.

Prossigamos.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Dê boas vindas às crises de existência

Essa semana fui questionado por e-mail se eu já havia tido crises de existência e se eu já tive medo de fracassar. Ora, se eu não fosse um ser humano, poderia dizer que nunca tive e nem nunca terei este medo, mas como ser humano, é impossível não olhar para trás e ver as inúmeras crises existenciais que venci e olhar pra frente e não ver que ainda existem muitas crises para chegar. Não só concluo que ter uma crise existencial é algo comum para o ser humano, como também assumo que viver ultrapassando as crises é hábito comum de quem quer empreender. Entenda porque.

As crises chegam para serem vencidas

Existem as crises financeiras, as crises administrativas, as crises trabalhistas e as crises existenciais. Todas elas com algo em comum: chegam nas nossas vidas para “subir o sarrafo” dos nossos limites. Somos tal qual um atleta praticante de salto em altura. No começo, saltamos um metro felizes e contentes, mas sem nos sentirmos “heróis” apesar de gostarmos de nos vermos assim. Só quando “subimos o sarrafo” dos nossos desafios e temos dificuldade para saltá-lo é que começamos a ver um herói no espelho. É incrível que não fiquemos satisfeitos em saltar determinada altura e sempre, em qualquer área da vida, nos impomos um novo limite. Esse “sarrafo” são as crises que chegam até nós para testar a nossa disciplina e força para vencer os obstáculos.

Todas as crises de existência representam um claro reflexo de que começamos a observar a nós mesmos

Se você está tendo uma crise de existência é sinal de que finalmente está direcionando a sua vida para o caminho certo: o autoconhecimento. Enquanto não temos crises contra nossa própria existência, não nos confrontamos e não nos impomos um desafio para mudar porque algo interno está errado. Repare que quando mudamos um hábito de consumo ou criamos novas metas de vendas, estamos reagindo naturalmente a uma crise financeira. Isso acontece quase que naturalmente porque visualizamos onde está posicionado o “sarrafo” de forma clara olhando o saldo da nossa conta corrente. No entanto, para sair de uma crise existencial precisamos olhar dentro de nós. Este lugar que não é óbvio e tampouco é claro.

Mergulhar na crise é o melhor remédio para sair dela

Quando passamos por qualquer problema, a melhor coisa que podemos fazer por nós é estudar uma possibilidade de sair dele da forma mais eficiente. Agir de rompante seria uma péssima atitude que provavelmente nos colocaria em frente ao mesmo problema em um futuro próximo. Logo, é melhor respirar, jogar a toalha por um tempo e mergulha dentro da sua crise existencial fazendo perguntas e mais perguntas sobre o que você está fazendo pela a sua vida. Ou melhor, o que você está fazendo agora que está indo contra o sonho que você almeja alcançar em um futuro próximo. Às vezes chega aquela aquela crise danada que não conseguimos sair e ficamos atônitos, apavorados vendo o tempo passando e ainda sem saber o que fazer. Nessa hora, só resta relaxar.

Relaxe e saia da crise

As crises passam. Quer você faça alguma coisa, quer não. Se você parou e meditou bastante sobre o que precisava ser feito, melhor para o seu futuro. Mas se você ficou só assistindo a crise passar por você, isso pode fazer bem a sua saúde. O negócio, é relaxar e enfrentar o problema ao mesmo tempo. Ou seja, atingir o equilíbrio não parando de agir e relaxando ao mesmo tempo. Conscientize-se que as crises existem em toda a natureza e que só cresce, quem ultrapassa as crises. É por isso que ainda estamos vivos e por isso que continuaremos vivos anos a fio. Não dê bola para as crises e relaxe ao mesmo tempo que procura resolvê-las.

Isto eu digo para mim agora e para você, pois de certo modo, tanto eu e você, somos frutos de uma grande crise natural que ocorreu no nosso planeta. Estamos juntos então, vivendo nossas crises existenciais. Bem-vindo ao clube!

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Sempre há tempo para o seu sonho!

sonhos-e-tempoO post original é do David Heinemeier Hansson, ciador do Ruby on Rails, sócio da 37signals, autor de best sellers, palestrante, piloto de carros de corrida, fotógrafo amador e homem de família. Um cara que admiro bastante não só por ser da nova geração de empreendedores digitais, mas também por manter seu olhar além do senso comum. Neste post, David dá uma boa puxada de orelha naqueles que não tem tempo para dedicar aos seus sonhos.

Abro aspas.

“Eu adoraria começar uma empresa, tornar-me um grande programador e escrever um blog incrível, mas não tenho tempo suficiente!” Mentira.

Sempre há tempo suficiente para o seu sonho, você só não o gasta direito.

Sei que estou sendo duro, mas estou cansado de ouvir “não tenho tempo” como uma desculpa para que você não possa se tornar grande. Não se leva tanto tempo para começar, mas sim, muita força de vontade. A maioria das pessoas simplesmente não tem vontade o suficiente e protege o seu ego com a desculpa de estar sem tempo. Esta desculpa é particularmente deprimente quando se trata de alunos.

“Oh, eu tenho tantas aulas. Ah, eu tenho muitas tarefas de casa. Simplesmente não há tempo para aprender fora da escola.” Então você está fazendo tudo errado!

“Nunca deixe a sua escola interferir com a sua educação”, alguém inteligente me disse uma vez. Estar disposto a sacrificar partes menos importantes é uma das habilidades mais importantes que você pode aprender na vida. Eu tirei muitas notas B e C, mesmo nas matérias em que eu estava muito interessado, porque foram notas que vieram de quase nenhum tempo investido em estudo. Tempo que eu aproveitei para escrever o meu próprio currículo, começar meus próprios projetos e executar meus próprios negócios. E foi isso o que eu fiz.

Durante minha faculdade, eu criei Instiki, Rails, Basecamp e estava caminhando para me tornar sócio na 37signals. Você acha que eu poderia fazer tudo isso, tirar notas altas e ainda jogar World of Warcraft? Não.


Se você quiser algo, você vai arranjar o tempo, independentemente das suas outras obrigações. Não abandone seus sonhos com desculpas. É muito fácil e, sinceramente, ninguém se importa. É inteiramente sua a responsabilidade de tornar seus sonhos realidade.


Ninguém tem o direito de dizer que “não tem tempo” para tocar os seus projetos de vida, pois uma vez vivos, estamos aqui para tornar estes projetos, realidade dentro das nossas vidas. Não fazemos, como bem disse o David, porque preferimos proteger o nosso ego dessa responsabilidade afirmando a quem possa ouvir, principalmente nós, que não temos tempo.

Se você não se considera rico porque tem menos dinheiro no bolso que o seu vizinho e existe toda uma desigualdade social mundo afora, considere-se igual aos outros quando se referir a tempo. Todos nós temos as mesmas vinte e quatro horas do dia para fazer algo pela nossa vida. Neste quesito, somos tomos iguais. São as decisões sobre o que fazer com esse tempo que nos é conservado que fazem o nosso progresso se atrasar ou acelerar. E só você está na frente do vagão do trem, mais ninguém.

Hoje, você foi em direção aos seus sonhos? Deixo a pergunta para reflexão apenas.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Sonhos são mais importantes que metas. Você tem um?

Eu tenho um sonho, um sonho muito claro que cultivo já há uns cinco anos. É um sonho que cada vez que me lembro dele (e isso acontece pelo menos umas cinco vezes por dia), imagino ele se tornando cada vez mais real. Assim, continuo caminhando em direção a ele, deixando o tempo se encarregar de trazê-lo até mim, enquanto aparo as arestas da minha realidade atual para aproximar-me com menos desgaste desse sonho. Vejo muitas pessoas cultivando metas, objetivos, mas poucas cultivando sonhos. Mas pior mesmo, são aquelas que têm um sonho e que o vêm somente como algo presente apenas no imaginário, não como algo que elas estão construindo hoje para alcançar no futuro. É sobre isso que quero falar hoje. Sobre o poder dos sonhos e a realidade dos sonhos.

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Vá na direção dos seus objetivos e deixe o tempo se encarregar de levá-lo até lá

Às vezes somos tão distraídos em relação a vida que nos esquecemos das coisas mais básicas. Nos esquecemos da lei da ação e reação, da lei do equilíbrio e até mesmo da lei da gravidade. Na última semana lembrei de algo que eu ainda não havia percebido. Ou melhor, havia percebido, mas ainda não tinha feito uma anotação sobre. Viajando de carro de Curitiba para o Rio de Janeiro, minha cidade natal, me dei conta de que habitamos um mundo regido pelas leis do espaço e do tempo e que estas leis, por mais que fiquemos parados no mesmo lugar, estão presentes na nossa vida a todo momento e são muito importantes para as utilizarmos a nosso favor. Assim como as outras leis que citei acima.

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Faça o que você ama porque a vida é muito curta

Já são quase 500 posts que praticamente documentam todos os meus altos e baixos desde 2008 quando fundei este blog e retomei as atividades como empreendedor, abandonando um emprego confortável para me arriscar no caminho solitário do empreendedorismo. Nesta época, cunhei o termo “insistimento” com os mesmos sentimentos que tenho agora no peito e a mesma questão primordial: “Estaria eu fazendo o que amo?”

Estou abrindo uma nova empresa de tecnologia para trabalhar com software livre e por isso estava pesquisando na internet a biografia de algumas pessoas importantes desta área como Richard Stallman, Linus Torvalds e Matt Mullenweg, quando me deparei pela seguinte frase dita por Matt, desenvolvedor líder do software de código aberto WordPress:

Faça o que você ama e não foque no dinheiro. A vida é muito curta.

SONHO DE LIBERDADE
Iluminação é um termo utilizado pelos espiritualistas para simbolizar que alguém atingiu um grau de liberdade total para viver a partir daquele momento sem amarras, seja com o passado, com o presente ou com o futuro. Apesar de donos de empresas, somos acima de tudo seres humanos que, como tais, almejamos viver em liberdade uma vida boa e feliz. Este objetivo, comum a todos nós, pode ser também chamado de iluminação espiritual onde, a partir de um determinado momento, passamos a agir como donos do nosso destino ao invés de reféns dele.

Esta liberdade, ou iluminação, é para mim algo que quando atingido, me fará exercer todo o meu potencial sem carregar, junto com este exercício, qualquer preocupação. Quem não cultiva o sonho de trabalhar por trabalhar sem se preocupar com as contas que precisa pagar? Não seria maravilhoso fazer aquilo que gostamos apenas porque gostamos sem nos importar com o que iremos receber em troca? Isto não significa que não receberíamos dinheiro como retorno do nosso trabalho, mas que não teríamos no dinheiro, o foco dos nosso esforços.

O QUE EU AMO?
O que eu faria se não precisasse mais de dinheiro é uma das perguntas principais do meu Curso Autocoaching e é o alicerce fundamental para construção de uma vida dos sonhos.

Quando fundei este blog, me fiz estas perguntas enquanto trabalhava em um emprego formal e percebi que precisava conviver com mais pessoas ajudando-as com meu dom empreendedor e me dedicar ao sonho de me tornar escritor. Além disso, queria ter uma família, morar em uma boa casa e poder me dedicar mais aos prazeres mais simples da vida como fazer o jardim ou empinar uma pipa num final de tarde no parque. Hoje vivo um pedaço de cada um desses desejos, apenas quatro anos depois de ter me decidido por colocá-los em primeiro lugar. Fazendo uma retrospectiva, vejo que é possível não só viver muito mais daqui pra frente, assim como incentivar aqueles que ainda não fizeram este movimento, que o façam para vivermos ainda neste século, em um mundo de mais abundância e igualdade para todos.

A VIDA É MUITO CURTA
Mas não é por ela ser curta que precisamos ter pressa. Se a menor distância entre dois pontos é uma reta e se uma reta é a ligação entre um ponto de origem e um ponto final, então a melhor forma de caminharmos é compreendendo onde está esse ponto inicial e também onde está esse ponto final. Olhar para a nossa própria vida e enxergar somente onde estamos, o que está certo e o que está errado sem olhar para onde estamos indo é não caminhar. Da mesma forma que olhar somente para o nosso futuro ignorando a nossa biografia presente também é permanecer inerte. Não olhar para nenhum dos dois pontos e correr, é cair em um precipício de disfunções que não nos levará a qualquer lugar.

Outro dia estava assistindo um documentário sobre a vida de Siddhartha Gautama (mais conhecido como Buda), que foi um príncipe da região do atual Nepal que se tornou professor espiritual e fundador do budismo. Gautama percorreu um grande caminho de busca pelo término do sofrimento (inerente a todos nós) deixando uma incrível mensagem de perseverança e fé pela busca da liberdade (ou iluminação). Depois de ter abandonado a sua vida como príncipe, ele passou por um mestre espiritual e depois outro, até que se tornou asceta, abandonando ao máximo o apego pelas coisas terrenas. Se desapegou até da comida até perceber que também ali não estava a solução para o seu sofrimento. Foi no momento em que ele percebeu que a Terra era somente a Terra e que nada de diferente existia na Terra além da sua própria realidade natural, que ele se iluminou e passou a viver em total liberdade, livre de preocupações, culpa ou ansiedade. Ele simplesmente percebeu que todas as interpretações sobre a Terra, eram apenas histórias sobre a Terra que nada tinham a ver com a verdadeira realidade.

COMO SE LIBERTAR DO SOFRIMENTO?
Esta é uma questão que eu poderia respondê-la com base nas teorias do que li e ouvi, mas somente conseguirei respondê-la quando vivê-la realmente. Para isto, terei que utilizar a minha própria vida para nela realizar experimentações acerca desta minha crença como vários outros homens e mulheres que encontraram o seu chamado, fizeram.

“Deixe-se ser silenciosamente comandado pelo forte impulso daquilo que você realmente ama.” ~ Rumi

O primeiro passo está na reflexão e busca sincera por uma forma de trabalhar me preocupando mais com o que amo do que com quanto eu preciso para viver bem. Ou seja, construir um framework de trabalho que me sustente financeiramente enquanto eu atuo colocando para fora os meus talentos através do meu trabalho. Através da prática diária do exercício do trabalho sobre este framework é que, acredito eu, farei com que o meu sonho de liberdade se torne real na minha vida.

FAÇA UMA ESCOLHA
Pense comigo. Você pode escolher planejar o seu futuro com base no quanto você deseja ganhar para viver uma vida confortável, assim como também pode escolher planejar o seu futuro com base naquilo que você ama fazer deixando o retorno dessa atitude para a lei da ação e reação decidir. Eu escolhi fazer o que amo e hoje recebo diariamente e-mails de pessoas de todos os lugares do planeta me incentivando, agradecendo e desejando um monte de coisas boas para mim. Por vezes, me desvio deste caminho de ir em direção aquilo que amo para pagar uma conta aqui ou comprar uma inutilidade acolá, mas o exercício de botar a mão na cabeça e conceber que estou caminhando errado, é o que me faz retornar para a reta que desenhei um tempo atrás como objetivo da minha vida.

2012 foi um ano de muitas mudanças e uma visão clara no espelho de onde errei e onde acertei. Pessoas e situações boas e não tão boas ficaram para trás, mas a graça foi obtida quando, depois disso tudo, ainda enxergo que estou de pé, bem de saúde, bem mentalmente e bem espiritualmente. Sem culpas ou sentimento de vitória. Apenas vivendo feliz por estar experimentando todas as possibilidades da vida.

É para isso que vivo. É para isso que desejo que meus filhos vivam. É para isso que desejo que a humanidade viva.

Ser feliz em liberdade. Este é o propósito.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Herói ou culpado não existe. Nós somos os únicos responsáveis.

A natureza humana é bastante interessante. Enquanto as plantas, os animais e os outros seres vivos tocam suas vidas responsabilizando-se mesmo que involuntariamente pelo seu comer e seu morrer, nós, únicos seres racionais do planeta, tocamos as nossas vidas responsabilizando os outros pela nossa incapacidade de sustentar nossas próprias decisões. É aí que aparecem os heróis e culpados da nossa vida.

O HERÓI

Pintamos alguém como nosso herói. O colocamos no alto da nossa vida como um santo inacessível, como um imortal, como um ser humano com super poderes benditos dados a somente ele. Dizemos para nós mesmos que aquele, nosso herói, é o cara, é quem admiramos, que um dia (se Deus quiser) chegaremos até ele. Bullshit. Nunca chegaremos porque o nosso herói está na nossa frente, sempre. Quanto mais caminharmos, mais o nosso herói se afastará de nós enquanto nós preferirmos dizer para nós e para o mundo que nós não temos poder e somos insignificantes. O nosso herói pode tudo, nós não. Ele está acima de nós e sempre estará.

O CULPADO

Pintamos alguém como nosso culpado. O colocamos abaixo de nós como alguém que conseguiu reunir todo o poder que possuía para destruir a nossa vida por completo. É um ex-marido, uma ex-mulher, um ex-sócio, um ex-qualquer que acabou com os nossos sonhos e que nos passou a perna e que nós, como coitado que somos, temos que superar para seguir adiante. Dizemos que somos fortes, mas não somos. Dizemos que perdoamos, mas não perdoamos. Dizemos que somos felizes, mas sequer pautamos nossas decisões com base na nossa felicidade. O nosso culpado pode tudo, nós não. Ele está abaixo de nós, nós somos melhores que ele, mas só ele consegue realizar tudo.

A RESPONSABILIDADE QUE VEM DO ASSUMIR

Outro dia uma amiga minha disse que era impossível fazer algo diferente. Evidentemente, sua baixo auto estima a dizia assim sem ponderar que até pouco tempo era impossível levantar uma pedra de uma tonelada do chão e que hoje se constroem prédios com pedras muito mais pesadas. Ela também esqueceu que até pouco tempo era impossível voar e que hoje você viaja mil quilômetros de cidade a cidade em menos de uma hora. Enfim, tudo que era impossível, foi feito, e foi feito por aqueles que assumiram suas decisões desse o quiproquó que desse.

Temos Deus como nosso herói e o diabo como culpado. Até o ateu tem alguém como Deus e outro como diabo. Nossa cultura brasileira é assim. Reclamamos, reclamamos e reclamamos. Da vida dos outros, é claro, não da nossa.

No último mês eu tomei a decisão de sair da empresa que construí ao longo dos últimos oito anos. Decidi sair porque de alguma forma a empresa se tornou mais do mesmo. Possuía alguns clientes satisfeitos, outros insatisfeitos. Entregava um serviço bom e razoável, mas ao mesmo tempo fazia as pessoas trabalharem um pouco mais além da conta. Gerava estresse, aborrecimento e sim, algumas alegrias. E eu sentava nos últimos meses na cama e pensava: “Que raios de empresa eu fiz? Que exercício maravilhoso é esse que eu, no auge na minha magnânima soberba criei para mim senão aquele exercício medíocre de fazer a mesma coisa que todo mundo já fazia com alguma diferença?” Bullshit. A vida não é isso.

Quando você toma uma atitude, toma uma decisão, duas coisas automaticamente acontecem. Uns te pintaram como herói, um deus, um gênio e outros te pintarão como culpado, algoz e egoísta. Que culpa temos nós disso?

Para seguir em frente, precisamos conversar uma boa auto estima sobre nós mesmos para não padecermos diante das críticas e dos elogios. Precisamos seguir em frente por mais que um pé pise em falso ou que um carro venha nos buscar na porta de casa. Sim. Eles irão nos criticar, mas não haverá maior e nem pior crítica do que aquela que nós fazemos sobre nós mesmos.

Portanto, responsabilize-se e não agradeça tanto os louros da fama como as algemas da prisão. Quem já passou por este mundo e decidiu algo, sempre foi alguém presente em ambos os assentos. O do rei e o do prisioneiro.

Libertemo-nos das expectativas e continuemos nos exercitando no caminho que nós mesmos traçamos.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Para onde, afinal, estamos sendo guiados?

Por muitas e muitas vezes, muitos e muitos dias, me senti como um boi que é guiado dentro de um curral para um outro pasto ou um matadouro. Muitas e muitas vezes me senti indo para uma determinada direção ou fazendo determinada coisa só porque outra pessoa estava indo ou fazendo aquilo. Me lembro de chegar de trem na estação Central do Brasil no Rio de Janeiro ou no terminal de ônibus Campo Comprido em Curitiba ou na Estação da Sé em São Paulo e avistar de longe aquele mar de cabeças indo para esta ou aquele direção.

Numa determinada vez em particular, estava voltando pra casa logo depois de ter ido à faculdade, umas onze horas da noite e me percebi extremamente cansado. Olhando para o início daquele dia, eu havia acordado às cinco da manhã, pego um ônibus cheio até noventa quilômetros de onde eu morava para ir trabalhar para depois retornar estes mesmos noventa quilômetros para ir até a faculdade. Era cansativo fazer aquilo todos os dias, principalmente sem motivo. Sim, sem motivo! Eu trabalhava para pagar a prestação do “apertamento”, do carro popular que tinha na garagem e pagar a faculdade que haviam me dito que garantiria o meu futuro. Como de costume, naquela época eu também pensava que deveria sofrer para conseguir as coisas e que, com sorte após todo aquele sofrimento, conseguiria me aposentar de alguma forma com um mínimo de conforto. Vivia assim, uma vida que muitas pessoas vivem até hoje.

Eu vivia como um gado marcado que não sabe para onde está indo, mas que segue a boiada para onde ela for. Como na letra da música Admirável Gado Novo de Zé Ramalho:

“Eh, ôô, vida de gado. Povo marcado, ê. Povo feliz. O povo, foge da ignorância apesar de viver tão perto dela. E sonham com melhores, tempos idos. Contemplam essa vida, numa cela. Esperam nova possibilidade de verem esse mundo, se acabar. A arca de Noé, o dirigível. Não voam, nem se pode flutuar.”

Quando me dei conta do que estava acontecendo comigo resolvi me questionar. Questionei-me sobre a minha infância tão feliz. Questionei-me sobre a minha adolescência tão cheia de desafios e conquistas. Questionei-me, afinal, do que tinha acontecido comigo que me permiti perder toda aquela felicidade que eu tinha em prol da satisfação de alguns padrões da sociedade adulta. Não era possível que eu teria que viver uma vida infeliz se ao mesmo tempo tudo o que eu e todos os outros buscávamos era a própria felicidade. Que sistema era esse em que era preciso e preferível sofrer que amar. Que mundo era esse onde nós crianças éramos domesticadas a sermos iguais umas às outros como peões de uma fábrica para sermos valorizados mais tarde no mercado de trabalho justamente pelas nossas diferenças!

Uma pausa neste texto por favor.

Não é interessante que nossas crianças vão pra escola uniformizadas, todas iguais umas à outras, passam por testes e provas que estabelecem um grau de comparação entre elas de modo a torná-las o mais próximo da média possível e que quando elas chegam no mercado de trabalho são diferenciadas justamente por aquelas qualidades que as diferenciam das outras? Não é interessante que matam nosso artista interno na escola nos fazendo desenhar dentro de margens de desenhos já prontos como árvores, pássaros e outras figuras e que depois somos valorizados justamente quando pensamos fora dessas margens?

Para onde, afinal, estamos sendo guiados?

Precisamos repensar as nossas vidas dedicando-nos aos porquês por de trás dos por quês. Quando enxerguei os reais motivos de eu estar casado, pagando um “apertamento” e um carro popular a prestação e ainda fazendo faculdade para sustentar o meu almoço na rua e o meu “status” na sociedade sem me importar nem um pouco com o meu próprio crescimento e minha própria felicidade, percebi, ao mesmo tempo, o quão insignificante e o quão grandioso eu era.

Era insignificante por ter me permitido viver uma vida sem qualquer propósito ou motivo para seu vivida e grandioso por saber que eu possuía o poder para mudar os rumos das minhas conquistas. Fazer este movimento de reconquista de si próprio é como se fôssemos realmente gados e ao invés de preferirmos ir junto com os outros bois na mesma direção para um novo pasto ou matadouro, escolhêssemos pular a grade que nos separava da liberdade. O que os outros bois iriam comentar sobre nós? O que nossos familiares iriam sentir a nosso respeito? O que nossos amigos e colegas fariam quando vissem que estávamos dando as costas pra eles e preferindo viver outra vida? Uma vida nem certa ou errada, mas apenas diferente e singular? Certamente nos puniriam com os olhos, com os pensamentos e com risos e falas de desagrado.

Para se reconquistar é preciso voltar a ser forte como éramos quando crianças. Quando dizíamos que não gostávamos de algo quando realmente não gostávamos independente da pessoa com quem estávamos falando. É crer na sua própria potência para ser um humano e tornar-se feliz apesar das circunstâncias. É abraçar a vida como um mar de oportunidades para amar e não como um precipício de coisas ruins para se odiar.

Viver, eu acredito, é para quem deseja fazer viva a sua personalidade. Ser quem deveria ser. Tem aquele que está vivo e aquele que vive. Eu escolho viver e você? Qual destes modos de vida você escolhe?

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

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