Categoria: Jiu Jitsu (Página 2 de 3)

Ninguém está contra você

  • Olha o que ele fez comigo?
  • Olha o que ela fez comigo?
  • Olha o que esses caras estão fazendo com a gente?
  • Como puderam fazer algo comigo, um ser tão bom assim?

Essas são as 4 principais reclamações que a maioria de nós dá todos os dias para as coisas que acontecem diferente do jeito que esperávamos acontecer.

E uma das coisas que você aprende praticando jiu jitsu é que sempre que algo acontece fora do que você esperava é porque você deu mole.

Começa o treino, você agarra o quimono aqui e ali, faz guarda, mas por algum motivo o cara que está treinando com você consegue avançar e começa a te colocar em uma posição muito ruim.

  • O peso dele contra o seu tórax faz a sua respiração acelerar.
  • As mãos dele tentando segurar o seu quimono junto ao pescoço faz você querer entrar em desespero.
  • O arrependimento daquele mole que você deu lá atrás faz você se desconcentrar do que está acontecendo.

Será que é certo eu culpar o cara que estava dando o seu melhor quando ele começou a me amassar no chão e tentar me estrangular ou tentar uma chave de braço?

Será que eu deveria pedir para ele facilitar as coisas para mim já que eu tenho vinte quilos a menos que ele?

Ou será que eu deveria fazer uma reclamação formal na secretaria da escola contra o treino que aquele cara está oferecendo para mim?

Nem o seu companheiro de treino ou o seu chefe, namorado e mulher têm algo contra você.

Todos eles querem a mesma coisa que você, mas você se concentra tanto em encontrar os problemas deles que esquece que a única coisa que você pode dominar é você mesmo.

Nós temos que aprender a jogar uns com os outros.

  • Tem uns que são mais pesados.
  • Outros já são mais leves e compridos.
  • Alguns ficam quietos a maior parte do tempo.
  • Enquanto outros querem festejar a todo momento.

Não importa com quem você esteja jogando seu jiu jitsu ou a sua vida, entenda que todos estão tentando dar o seu melhor e que não dá pra ficar resmungando ou remoendo o que este ou aquele fez contra você.

Mas dá, tranquilamente, para você modificar a maneira como olha o que está acontecendo e usar o amor para abraçar tudo o que acontece pela pura tarefa de exercitar a si mesmo.

 

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

A verdadeira luta

No tatame é assim.

Antes de entrar nele você inclina a cabeça para frente fazendo uma reverência ao lugar, depois inclina novamente a cabeça fazendo reverência ao seu mestre e seus companheiso de treino.

Todos no tatame vestem a mesma roupa, sinalizando igualdade ao mesmo tempo que destacando a experiência de cada um pela cor da faixa que mantém firme seus quimonos.

Lá fora ficam os bens, as profissões e os títulos.

  • Ali dentro você é igual a quem tem menos ou mais coisas que você.
  • Ali dentro você sequer fala alguma coisa.
  • Ali dentro só tem valor o que você faz.

Você entra como quem chegou recentemente ao mundo e sai como quem acabou de morrer.

Quem olha de fora, dirá que você é o mesmo cara que entrou, mas quando observarmos mais a fundo, a cada entrada e saída do tatame, você está conquistando bens invisíveis aos olhos.

  • Ali dentro você treina para diminuir a raiva e aumentar o seus respeito pelos demais.
  • Ali dentro você treina para eliminar o orgulho e aumentar a sua perseverança.
  • Ali dentro você treina para controlar os impulsos e aumentar a sua visão do todo.

Não dá pra se tornar faixa preta em jiu jitsu comprando uma apostila, vendo vídeos na internet ou treinando sozinho em casa.

É preciso entrar no tatame e se engalfinhar todos os dias com seus companheiros de treino para melhorar coisas que talvez nunca sejam nem vistas ou valorizadas pelos outros.

Apesar da vida mundana nos ludibriar com apetrechos que penduramos em nossos corpos como roupas e jóias e nos encantar com papéis dizendo que somos algo ou que algo é nosso, no final das contas você chega nu e vira .

Portanto, é insano lutar para conquistar essas coisas em detrimento de conquistar as de maior valor.

A maioria das pessoas hoje está lutando para melhorar o mundo para elas, enquanto deveriam estar treinando para melhorar quem elas são para o mundo.

Se todos fizéssemos isso, seria uma revolução.

Mas se todos ainda não podem ou ainda não se atentaram a isso, que sejamos nós representantes desta luta contra nós mesmos enquanto temos a oportunidade de treinar neste tatame que é a vida.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Deixa disso

Se tem uma coisa que deixa qualquer um com raiva no tatame é o camarada querer te estrangular com o braço no meio da tua cara, quase quebrando o seu nariz e os seus dentes.

Em toda academia de jiu jitsu tem um pessoal meio bruto e sem noção e na minha não foi diferente.

Mesmo sem o estrangulamento encaixado meu companheiro de treino da época queria me submeter pela força não sei por qual motivo.

Tamanho do seu ego, cansaço, não sei.

Sei que quando ele deu uma de louco e forçou o estrangulamento que não existia eu saí do sério e acelerei pra cima do cara de qualquer jeito.

O treino virou uma briga disfarçada de jiu jitsu.

Me lembro de ter rolado pelo tatame pra lá e pra cá com o cara, tentando fazer alguma coisa desesperadamente com ele, enquanto ele tentava fazer o mesmo comigo.

Eu já tinha uns dois anos de jiu jitsu, treinando todos os dias com o meu professor que eu tanto respeitava.

Eu estava indo bem nos treinos, mas naquele dia, esqueci o jiu jitsu.

O treino ficou feio e eu me lembro de ter olhado de rabo de olho para o meu professor que estava com uma cara de espanto e reprovação.

Virei o corpo e avistei a foto tradicional de Carlos Gracie na parede de braço cruzados como que observando o que estava acontecendo.

Foi o que bastou para eu ter aceitado uma posição qualquer do meu companheiro, dado três tapinhas e parado o treino.

Meu semblante era de vergonha.

Saí cabisbaixo, pensativo e me sentindo bastante mal.

Passei as próximas 24 horas assim.

Me sentindo um bosta.

Não pense que era porque tinha desistido de lutar, mas porque eu havia abandonado aquilo que estava treinando há tanto tempo.

No outro dia, aproveitei que sempre chegava cedo e pedi desculpas para o meu professor que, na sua sabedoria, disse que tudo bem e me ensinou mais uma de suas grandes lições que muitas das vezes nem ele percebia que ensinava.

Me disse que forte é aquele que se controla, não aquele que agride.

Passados alguns dias, meu companheiro louco chegou para treinar e nós começamos o “rola”.

Na sua loucura, ele tentou de novo me desestabilizar, mas desta vez eu estava preparado.

Ao invés de reagir, fui atrás dele, derrubei, caí com ele de costas no chão e ali fiquei.

Fiquei igual uma mochila nas costas dele e o prendi a mim até o treino acabar.

Foi mágico.

Eu não agi, só prendi seus braços e suas pernas sem tentar nenhum golpe.

Ele ficou enfurecido por estar simplesmente preso.

Pulava de um lado para o outro, se cansava, mas ficava ali.

Preso. Só isso.

Daquele dia em diante meu companheiro de treino nunca mais deu uma de louco comigo e passou a me respeitar, ao mesmo tempo em que eu pude dar a ele novas oportunidades de treinarmos juntos educadamente.

Eu pude perceber desta vez o olhar de aprovação do meu professor e pude sair orgulhoso de ter agido pelo não agir.

Não fiz mal e não deixei que me fizessem mal.

E agora eu te pergunto?

Quantas vezes você já não saiu do sério e se arrependeu depois?

Para estragar a nossa vida, basta uma atitude maluca que tudo o que foi construído pode ruir de uma hora para outra.

Nossa principal doença enquanto humanidade é querer proteger nosso ego através da luta, da crítica, da grosseria e da violência.

E poucos são aqueles que percebem que não dizer, não brigar, não lutar, é sinal sanidade mental e amor.

Que a lição do estrangulamento no meio da cara seja levada para o nosso dia a dia, quando algo ou alguém tenta nos tirar do sério.

Você não perderá nada se não brigar.

Na verdade, se pensar bem, todos saem ganhando quando não brigamos.

Mesmo que o mundo e o seu ego queira te dissuadir a brigar, não troque uma conquista de longo prazo por um prazer de curto prazo.

É insano.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Respiração

“Eita.

Começou o treino, ele já veio pra cima e eu nem percebi.

Já passou a guarda, chegou na minha lateral e saiu amassando.

Nem dez segundos se passaram e eu já estou na pior.

O que faço agora?”

Quantas e quantas vezes você já não ficou em situações onde a vida amassou a sua cara contra o chão e fez você pensar ser impossível sair daquele aperto?

Uma, duas, três?

Se há algo que aprendi no jiu jitsu, é que quando a situação aperta, a primeira coisa que você deve fazer é colocar atenção na sua respiração.

Ao invés de ficar remoendo os erros que cometeu durante o treino para chegar naquela situação ou ficar imaginando como a situação pode piorar, você simplesmente deve focar na sua respiração.

Não tem como você querer controlar as situações que o adversário te impõe sem antes controlar a si próprio.

Ficar nervoso, remoendo mentalmente o que aconteceu ou o que está por vir, só dará mais chances para você ser amassado.

O mesmo ensinamento podemos aplicar na nossa vida.

Da próxima vez que você ficar tenso, nervoso ou aflito com as coisas que acontecem no seu dia-a-dia dê uma examinada em como você está respirando.

Você vai perceber que a sua respiração normalmente fica descontrolada em uma situação dessas.

E de fato, nós não temos menor controle sobre o que acontece fora de nós.

Só podemos controlar a nós mesmos.

É avião que cai, ônibus que bate, pessoas que morrem, vasos que quebram, pessoas que ficam nervosas conosco, enfim…

Todos os dias acontecem coisas à nossa volta que nos balançam emocionalmente, mas que se dermos vazão a esta emoção, tornar-se-ão maiores do que realmente são.

Controle a sua respiração, volte para o presente e assuma o controle sobre a única coisa que você realmente pode controlar.

A si mesmo.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Cuide da direção

“Uma longa caminhada começa com o primeiro passo, mas mais importante que dar o primeiro passo, é continuar caminhando na direção correta.”

Existe um exercício para fortalecer o pescoço no jiu jitsu que consiste em

  • ficar deitado no chão e mover a cabeça umas vinte vezes parar frente, tentando encostar o queixo no peito,
  • outras tantas vezes movimentando a cabeça lateralmente tentando encostar a orelha nos ombros e
  • mais um bocado de vezes mexendo a cabeça de um lado para o outro como quem diz não para alguma coisa.

No primeiro dia que você faz esse exercício, o seu pescoço dói tanto que te dá um desejo do professor terminar a aula já por ali no aquecimento mesmo.

É claro que fora esse exercício, você já fez um monte de abdominais de todo o jeito, outras muitas fugas de quadril e um monte de outros movimentos nunca antes feitos pelo seu corpo nos primeiros 20 minutos de treino.

No primeiro dia, você fica parecido com um mongol gigante fazendo movimentos descoordenados e com inúmeras dores pelo corpo.

Mas conforme os dias de treino vão passando e você vai repetindo aqueles movimentos, seu corpo vai começando a aprender o que precisa fazer para executá-los com perfeição.

Seu semblante passa a ficar tranquilo e calmo fazendo aqueles mesmos exercícios que te matavam quando você começou a treinar jiu jitsu.

A repetição fez com que você aperfeiçoasse o que você fazia.

O que te deixava dolorido agora te relaxa.

O que te dava medo, agora te fortalece.

Ter continuado treinando te deixou cada vez mais próximo da desejada faixa preta.

No meio do jiu jitsu costuma-se dizer que um faixa preta é um faixa branca que não desistiu, logo, te pergunto:

  • Para onde você está indo?
  • O que você faz diariamente para chegar lá?
  • Qual é a ação que feita repetidas vezes te levará até o seu destino?

Bom treino.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Somos todos diferentemente iguais

Eu sempre gostei de olhar o tatame como o palco da vida.

A gente chega na academia com as roupas e objetos que nos diferenciam dos demais.

Carregamos também nossas palavras e nossos sentimentos que nos destacam na multidão e que nos tornam seres diferenciados.

Mas depois de sair do vestiário, já de quimono, descalços e prontos para entrar no tatame, olhamos para os outros e percebemos que ali todos jogam com as mesmas pedras.

Cada um com seus dois braços, duas pernas e uma cabeça, prontos para abaixar a cabeça, entrar no tatame e treinar com os demais.

Uns trazem faixas coloridas na cintura, demonstrando que tem mais tempo na prática da arte suave.

Não que isso realmente signifique algo.

Hélio Gracie, um dos fundadores do jiu jitsu brasileiro, dizia que faixa só serve pra não deixar a calça cair.

Algo assim.

A cor da faixa funciona como a barba, o bigode e os cabelos brancos que apenas sinalizam que o portador de tais adereços corpóreos deu mais passos que os outros.

Só isso.

Todo mundo que entra no tatame, independente da cor da faixa, sabe que basta um “mole” ou uma “bobeira”, para que alguém menos experiente o faça engolir o orgulho de ter caminhado mais.

A vida no jiu-jitsu é assim: todo dia você começa do zero.

Todo dia você sabe que tem que superar quem você era no dia anterior para não dar “bobeira” e te atropelarem.

A vida real também é assim.

Você pode ter mais cabelos brancos e rugas que a outra pessoa ao lado, mas se não se vigiar pode sofrer muito ao cometer um erro de novato.

Nós deveríamos agradecer todos os dias que temos a oportunidade de treinar mais um pouco, de entrar no tatame da vida e demonstrar nossa arte.

Nós deveríamos saudar todos aqueles que cruzam o nosso caminho, pois eles nos dão a oportunidade de treinar quem somos.

Nós deveríamos fazer mais e falar menos, como no jiu-jitsu, onde palavras não servem de nada na luta, pois são somente nossas ações que produzem resultados.

Eu gosto de pensar na vida como um tatame e agir como que em um treino.

Pois, diante de tanta adversidade, o mais sensato é se considerar diferentemente iguais.

Só isso.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Potência não é nada sem controle

As competições tradicionais de jiu jitsu brasileiro geralmente são de tempo livre.

Nesse tipo de competição, ganha quem se mantiver no controle por mais tempo e não quem é mais potente e parte pra cima dando tudo de si.

Na vida, é o mesmo.

  • Ganha quem não explode a raiva para cima dos outros.
  • Ganha quem não troca os pés pelas mãos.
  • Ganha quem pensa antes de agir.

O treino de jiu jitsu é truncado, é chato, é desgastante.

Você fica muitas das vezes parado, tentando controlar seu companheiro de treino enquanto tenta respirar e montar uma estratégia na cabeça.

Quando você para de pensar e deixa suas emoções virem à tona e busca encerrar aquele treino de qualquer jeito sem nenhuma estratégia, você acaba se colocando em uma posição bem pior daquela onde estava.

Você paga o preço por não ter controlado a si próprio.

  • O mesmo preço que você paga por ter bater em alguém quando sua raiva vem à tona.
  • O mesmo preço que você paga quando tenta dar um passo maior que as pernas.
  • O mesmo preço que você paga por agir sem pensar.

Infelizmente somos domesticados desde cedo a estar sempre em ação como se o ócio fosse um crime.

Você só administra aquilo que você pode controlar e se tudo que existe na sua vida existe hoje porque você construiu, podemos dizer que tudo o que você precisa controlar para suas ações darem resultados melhores, é você mesmo.

O que você prefere?

A) Ter um carro potente com pneus carecas.

B) Ter um carro potente com pneus novos.

Troque os pneus carecas da sua vida por novos e comece a terminar os treinos da sua vida melhor do que quando começou.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Aprume-se duma vez

“Quebra a postura dele! Quebra a postura dele!”, dizia o professor em um dos treinos.

Estar sempre quebrando a postura do outro, assim como estar sempre tentando manter a sua postura, é um dos alicerces do jiu jitsu brasileiro.

A cabeça sempre erguida, alinhada com os joelhos.

Os punhos firmes e o tronco sempre ereto.

A vida sempre tenta nos expor a situações convidativas onde há a possibilidade de desistir da nossa postura em prol de alguma facilidade.

  • É o estacionar fora da área permitida.
  • É o suborno do guarda na blitz.
  • É o não manter a sua palavra.

Entre tantas outras coisas…

E se você não está firme e convicto da sua posição, não poderá colocar a culpa na vida quando ela vier lhe cobrar daquela postura que você não conseguiu manter lá atrás.

No jiu jitsu fica bem claro que não é só o outro que te ataca, mas você que se coloca em uma posição de desvantagem quando deixa de manter a sua postura por três ou cinco segundos.

Assim como também não é a vida que te ataca, é você que deixa brechas para ser atacado.

Pense na postura, como o seu caráter, aquilo para o qual toda a sua vida e suas experiências servem para construir.

Conduzir uma postura ruim diante da vida é o mesmo que calçar uma casa sobre um banhado.

Basta cair uma chuvinha para a casa vir abaixo.

O filósofo Epicteto disse uma das maiores verdades da vida.

Disse que existem dois tipos de coisas, aquelas que estão sob o seu controle e aquelas que não estão.

Você nunca vai conseguir saber e tampouco controlar o que o outro vai fazer ou deixar de fazer, mas você pode controlar tudo aquilo que está sob o seu poder.

Você mesmo, sua postura e o seu caráter.

Ajeite essa postura duma vez.

Se aprume.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Uma casa não se constrói pelo telhado

Ainda me lembro do dia em que um dos professores de jiu-jitsu da academia me chamou para fazer um teste comigo e ver como eu estava.

Deitado no chão, ele abriu a sua guarda, pedindo para que eu ficasse de joelhos dentro dela e tentasse sair.

Acho que era a minha primeira ou segunda semana na academia e, apesar de já terem me explicado como sair da guarda, eu fazia um esforço imenso e nada acontecia.

O professor ficava me olhando debaixo, esperando meus “ataques” enquanto eu me contorcia dentro das suas pernas tentando abrir o cadeado da sua guarda.

A minha cara devia demonstrar a força que eu estava fazendo para sair dali, mas isso não foi o pior.

O pior foi depois de todo o meu esforço naqueles vinte segundos iniciais do teste, o professor começar a me jogar de um lado para o outro feito um saco de dormir.

Ele dava leves tapinhas com as pernas dos meus joelhos e eu caía de um lado para o outro como quem tenta ficar de pé em bolas de gude.

Depois dessa sessão de joga pra lá e joga pra cá, o professor abriu a guarda e começou a me suspender no ar apenas puxando os meus braços e erguendo-me com seus pés nos meus quadris.

Eu voava feito saco plástico de um lado para o outro enquanto o ouvia dizer: “Cadê a sua base? Cadê a sua base?”

Aquelas perguntas entraram pelos meus ouvidos e seguiram até o meu coração.

Enquanto eu ia de um lado para o outro, minha mente começou a refletir em todos os meus últimos trinta e poucos anos de vida e a observar que realmente eu não tinha base nenhuma.

Nem no tatame e nem na vida.

Aquilo foi mais que um teste de jiu-jitsu para mim.

Para você ter uma base firme no jiu-jitsu você precisa sempre alinhar a sua cabeça com os seus joelhos.

Quando a cabeça está à frente dos joelhos, você tomba.

Quando a cabeça está atrás dos joelhos, você tomba.

E o que tem isso a ver com a vida?

Tudo.

Nós só podemos progredir na vida se antes fundamentamos a nossa base.

Cabeça no futuro (na frente dos joelhos) base (presente) ruim.

Cabeça no passado (atrás dos joelhos) base (presente) ruim.

A maioria das pessoas ou está ansiosa pelo o que está por vir ou culpada pelo o que já passou, mas só progride na vida (ou no jiu-jitsu) quem mantém a cabeça no presente, que é onde, efetivamente, as coisas realmente acontecem.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Você não vence pela força, mas pelo jeito

Quando estou passando por um estrangulamento no jiu-jitsu, a primeira coisa que faço é verificar em qual posição o meu pescoço fica mais confortável para diminuir a pressão do meu oponente sobre ele.

Da mesma forma, quando tenho que colocar o oponente de costas no chão, procuro onde estão os seus apoios, para removê-los e continuar progredindo até que as suas costas encostem no tatame.

Tentar enfrentar a força do braço e do corpo do meu oponente com mais força, a partir do pescoço é me enforcar mais.

Tentar derrubá-lo na força é fazê-lo usar a minha própria força para me manter ainda mais fixo no chão ou então erguer-me feito um bobo do chão.

Se você está hoje fazendo muita força para viver, certamente algo está errado na sua vida.

Algo não está sendo natural.

Quando escrevo textos como esse, ajo com tanta naturalidade que não sinto o mínimo de força sendo feita.

Eu gosto, amo isso aqui e poderia ficar escrevendo textos atrás de textos durante o dia inteiro.

Quanto mais força você faz, mas a vida te empurra para o chão.

Assim como nossos companheiros de treino no jiu-jitsu, a vida usa a nossa própria força para aumentar aquilo que ela deseja que treinemos.

Prestou atenção nisso?

Quanto mais força você faz, mas a vida esmaga a sua cara no chão para mostrar que o seu caminho não é esse que escolheu.

Este não é o seu melhor treino.

Quanto menos força você faz, mais fácil fica para você respirar e prestar atenção no que está acontecendo para prever os movimentos que sucederão aqueles que estão acontecendo agora na sua vida.

A diferença do meu jiu-jitsu para o jiu-jitsu do meu professor é a capacidade que ele tem de prever mais movimentos à frente que eu.

Seu semblante tranquilo e calmo, demonstra o domínio que ele tem sobre os movimentos que estão acontecendo no tatame.

Por quantos e quantos dias mais você continuará vivendo sem ao menos respirar com atenção?

Pare a luta, comece o treino.

“De modo suave, você pode sacudir o mundo.” ~ Gandhi

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

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