Cegos do olho do outro

Você já percebeu que nós julgamos a vida do outro através dos nossos valores?

Já percebeu que ficamos comparando as ações do outro com aquelas que nós achamos ser mais corretas?

Que não medimos esforços para criticar, ofender e culpar o outro só porque ele não tomou as decisões que esperávamos dele?

Noutro dia conheci a história de vida de um homem que saiu de casa aos 14 anos porque seu pai bebia e batia na sua mãe, nele e nos seus irmãos.

Um homem que quando criança se escondia em um quarto com toda a sua família porque seu pai bêbado estava chegando em casa.

Um homem que mais tarde recebeu a notícia de que seu pai havia se matado enforcado na casa onde envelheceu por conta da bebida.

Este mesmo homem criou-se, virou adulto, constituiu família, mas não foi lá um cara exemplar (pelo menos aos nossos olhos cegos).

  • Não foi lá de dar muito carinho para a família, apesar de dar todo o seu salário para a esposa administrar.
  • Não foi lá de ser muito fiel aos laços do matrimônio, apesar de se orgulhar de ser casado com uma boa mulher.
  • Não foi lá de ser um cara de dizer seus sentimentos, apesar de ser convidado para muita festa por conta do seu bom humor.

Mas o maior atributo do seu caráter, era que esse homem, construído nesta infância cheia de traumas, não bebia uma só gota de álcool, nunca bateu na mulher ou nas suas filhas e tampouco deu vexame em alguma festa.

Para ele, ser alguém de bem, era simplesmente não ser como o seu pai.

E pronto.

Ele não se importava se saía com outras mulheres enquanto era casado, se não falava muito de si dentro de casa ou se não dava muito carinho para suas filhas.

Para ele, o não fazer algo como o seu pai era o mais importante.

E foi isso o que ele conseguiu com sucesso.

Viveu a sua vida não sendo aquela pessoa que não queria ser.

Te pergunto:

  • Quantas vezes você valorizou as atitudes do não fazer da outra pessoa?
  • Quantas vezes você se importou com o olhar das outras pessoas sobre a vida?
  • Quantas vezes você teve compaixão por aquele que pensa diferente de você?

Porque meu amigo e minha amiga, nem sempre as pessoas querem ser algo.

Às vezes, elas simplesmente querem não ser.

E a vida para elas, já é boa assim.

Vamos respeitar e admirar.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

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  1. Alexandre

    Parabéns pelo texto. Nós julgamos demais os outros, sem sequer conhecer sua história de vida.

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