De longe um presépio, de perto uma presepada.

Um conhecido meu sempre dizia esta frase sobre o Rio de Janeiro. Ao chegarmos na cidade de avião, principalmente no Aeroporto Santos Dumont avistamos lindos monumentos erguidos pela natureza e pelo homem como feitos orquestradamente como demonstração de um amor com som de bom samba inexistente em qualquer outro lugar do mundo. No entanto, ao chegar no saguão do aeroporto já sentimos o calor abafado da cidade por conta da poluição do ar, as ofertas de taxistas superfaturando suas corridas e o comércio ambulante que grita seus preços para quem quiser e não quiser ouvir. Assim é o Rio de Janeiro, bonito na superfície, cruel na sua realidade. Da mesma forma como nós…

SUPERFICIALIDADE RÍGIDA
Quem julga a minha beleza? O outro. Quem julga o meu sucesso? O outro. Enquanto isto for a realidade da minha vida, tornarei os frutos do meu trabalho, ferramentas para tornar minha superficialidade rígida, pois como é necessário manter-me nas aparências, espero, e preciso cultivar, tudo o que o mundo me torna mais superficial, colecionando materiais disponibilizados a mim e a outros de forma que, se comparados superficialmente, eu seja melhor que ele e não o contrário.

Mantenho minha superficialidade rígida para dizer que sou isso e aquilo e me desiludo a cada instante com minha própria presença, tendo visto que ela não possui qualquer valor. E apesar de não poder cobrar que esta superfície tenha valor, sinto-me pressionado por ela própria, a dizer-me doutor nesta ou naquela ciência. De longe, do meu ponto de vista sobre mim mesmo, sou um presépio, mas de perto, sou somente uma bela presepada.

DESILUSÃO
Quantas e quantas vezes já não nos desiludimos com algo, alguém ou algum lugar? Esperamos encontrar tal matéria, tal presença ou tal beleza natural e simplesmente nos decepcionamos. Quantas vezes não achamos algo extraordinário a primeira vista e conforme vamos nos aprofundando ou estreitando nosso relacionamento com isto, nos pegamos desiludimos com enormidade falta de concordância com aquilo que esperávamos? Por fim, como conviver com a desilusão diária de ver-se mais atrás do que se esperava estar por conta do lixo superficial que enxertamos em nossas vidas? Como desfazer o movimento de desilusão e aceitar? Apenas aceitar.

A desilusão acontece porque criamos na nossa mente uma referência de algo, alguém ou algum lugar que não confere com a realidade. Ao invés de buscar os fatos e os porquês nos dedicamos a imaginar consequências de algo que não existiu ou existe. Vemos uma árvore e criamos uma história em nossa mente sobre ela. Conhecemos alguém com um ou três pontos da sua personalidade parecidos com outros pontos da nossa e logo cultivamos expectativas. Vemos a foto de um lugar e logo deturpamos a realidade buscando encontrar nele um ponto onde possamos desfrutar de tudo aquilo que não possuímos. De certa forma, não queremos encarar a realidade e por isso, nos iludimos a todo o momento.

Se nos olharmos no espelho, certamente não enxergamos mais quem nós somos. Enxergamos apenas nossas histórias, conquistas e derrotas, que não representam a realidade daquilo que vemos ali de frente aos nossos olhos. Seguimos em frente, mas sem as ferramentas certas, já que todas são superficiais. Enxergamos quanto de dinheiro temos na conta bancária e como está a nossa aparência, e paramos por aí. Não prosseguimos na busca pelas ferramentas disponíveis nas profundezas do nosso ser e que podem converter nossas derrotas em vitórias. Quando estamos em crise, apelamos para outras superficialidades como álcool, festinhas, empréstimos e descanso. Não aproveitamos a vida para transformar a nossa “presepada” interna em um belo “presépio” cheio de conquistas sobre nós mesmos.

CONFRONTE-SE
Você já percebeu que a vida não é trabalhar para pagar as contas do mês? Pois se a vida representasse só isso, as pessoas que se dedicam a somente isso seriam as pessoas mais felizes. Da mesma forma, você já percebeu que a vida também não é subir uma montanha e ficar isolado dentro de uma caverna meditando? Se a vida representasse só isso, todos os monges seriam as pessoas mais felizes. A vida é confronto. A vida é o confronto das nossas ilusões com a realidade. Enquanto não fazemos este confronto não crescemos e, se não crescemos, ficamos empacados nas desilusões diárias sempre reclamando da realidade que o mundo nos oferece.

Por quê levantar da cama todos os dias? Por quê beijar sempre a mesma mulher ou mesmo homem todos os dias? Por quê brincar com seus filhos? Por quê trabalhar naquilo que trabalhamos? A resposta a todas essas perguntas seria algo como para que manter a superficialidade, ou seja, levantar-se todos os dias da cama para ganhar dinheiro para dizer-se casado, posar de pai ou mãe de família e falar que seu trabalho faz a diferença no mundo? Não pode ser assim, devemos cair logo no confronto. Devemos apelar para os porquês e questionar a nossa mente o que nos move para frente.

A PERGUNTA DA MEGA-SENA!
Se você ganhasse 22 milhões de reais hoje você continuaria com a mesma mulher ou mesmo marido? Se você muito dinheiro você continuar trabalhando na sua empresa? Se tivesse bala na agulha, iria continuar morando onde mora?

Desde quando comecei a me fazer este tipo de pergunta minha vida se transformou de presepada para presépio. Passei a investir tempo questionando-me a cada ação, a cada atividade, se eu a faria caso ganhasse na Mega Sena. Eu continuaria à frente da minha empresa, continuaria casado com a mulher que sou casado hoje, ainda moraria com meus filhos, viajaria um monte com eles e moraria no lugar onde já moro. Não tornei-me perfeito por causa disso, mas construí algo de valor ao invés de tentar ser alguém que eu não sou.

Se cada pessoa se fizesse estas perguntas a partir de hoje e começasse a mudar a sua realidade para uma onde a maioria das respostas a estas perguntas fosse positiva, teríamos lares mais pacíficos, cidades mais belas e organizadas, pessoas mais interessadas nelas mesmas e um planeta mais digno de ser habitado por uma raça que se diz a mais inteligente,

Vamos refletir sobre isso e desconstruir a desilusão na qual no enfiamos.


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