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Quando criança eu tinha plena certeza de que tudo que eu via com os meus olhos não existia. Eu pensava que tudo aquilo era somente uma ilusão. Ninguém ou nada existia na realidade. Eram apenas personagens de cenários montados para que eu vivesse as minhas experiências, tal como os problemas das aulas de matemática onde João, Pedro e a banca de laranjas não pertenciam ao mundo real e se apresentavam na minha vida somente quando eu precisava resolver os exercícios dessa matéria.

E eu estava certo. É tudo verdade. Tudo não passa mesmo de uma ilusão e tudo o que eu faço desde pequeno é aprimorar a maneira com a qual lido com as personagens e cenários que compõe os problemas da minha realidade. Realidade que é só minha e que não pode ser notada por mais ninguém. Uma realidade que somente alguém, com os meus olhos e com os meus valores, conseguiria enxergar.

Assim, eu começo a perceber que quando busco conhecer as necessidades dos meus clientes, a maneira como os meus concorrentes trabalham, a forma como meus fornecedores negociam e como minha equipe atua, é como fazer os exercícios necessários para passar por um teste de matemática onde João, Pedro e a banca de laranjas passam a existir. E onde o resultado desse teste é mensurado de acordo com a maneira mais eficiente que eu lidei com uma dessas personagens em cada um dos cenários em que elas se apresentaram.

Pode parecer complicado, mas é mais simples quanto saber quantas laranjas sobraram na banca depois que João e Pedro fizeram as suas compras, pois a cada dia que passa, o cenário se torna mais real à nossa frente e isto porque é cada vez mais presente a maneira impessoal com a qual lidamos com o mundo, sejam clientes, concorrentes, fornecedores ou equipes. Vou explicar por quê.

Em abril coloquei em produção uma loja virtual voltada somente para o público feminino. Fiz contato pessoal com cinco fornecedores que disponibilizaram algumas linhas de produtos para que eu desse início às operações da loja. Duas semanas se passaram e eu e meu sócio começamos a notar que as pessoas acessavam a loja (números do Google Analytics), mas logo saíam, fazendo com que o nosso acesso não crescesse de jeito algum e nenhuma venda fosse concretizada. Assim, decidimos colocar no ar uma revista on-line com conteúdo feminino. Os visitantes (números) começaram a crescer e, semana após semana, fomos testando diversas formas e modelos de trabalho e notando que as visitas (números) cresciam na medida em que um ou outro assunto (na maioria das vezes relacionado a sexo) era publicado na revista.

O enunciado do meu problema era: “Quantos visitantes precisam entrar na revista para uma venda se concretizar?”

Nesses quase dois meses de trabalho eu tenho atuado apenas sobre a observação do mundo através da tela do meu computador e dos meus relatórios de análise. E assim, eu testo inúmeras possibilidades para estabelecer a métrica de visitas versus vendas e responder ao meu problema. O que só vem a comprovar o que eu já havia dito anteriormente nesse texto: “que eu sou apenas um cenário para a sua vida”.

Eu não existo para você. O que existe apenas, é o que você coleta de conhecimento daquilo que eu escrevo e transforma em sabedoria. A partir do momento em que o conhecimento se transforma em sabedoria, pode-se manipular a realidade enxergando oportunidades onde existem obstáculos e vitórias onde existem derrotas. Pois se o problema é ter tudo integrado, criamos o iPhone e se o problema é que o sistema de e-commerce não funciona bem, então façamos um melhor.

Eu já disse isso antes, mas David Heinemeier Hansson, co-fundador da 37signals.com e que fatura 24 milhões de dólares ao mês, disse que o primeiro passo para se obter sucesso é resolver um problema que afete a sua própria vida (o seu cenário), para, com a solução em mãos, resolver os problemas das outras pessoas e ganhar dinheiro com isso.

Ao invés de eu pensar que o problema está no mundo que eu vejo, eu prefiro pensar que o problema está em eu não saber lidar com as situações que me são apresentadas. Porque se estas mesmas situações fizessem parte da sua história e não da minha, com certeza você encontraria uma outra solução para os mesmos problemas, não é verdade? Então para quê gastar tempo e energia justificando problemas quando eu posso utilizar esse tempo e energia para aprimorar a maneira com a qual lido com as personagens e cenários que compõe a minha realidade.

Mudando meus olhos, mudarei meu mundo.

E lembre-se:

Qualquer tipo de luta é sempre contra si mesmo
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Marcos Rezende

Faixa roxa de jiu-jitsu brasileiro pela equipe Atos Loyalty Curitiba, estudante de filosofia na UFPR e aprendiz de investidor em parceria com o GuiaInvest que desde 2008 conduz este projeto com a missão de motivar e apoiar pessoas a superar seus medos e suas crenças para se tornarem elas mesmas.

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