Ídolos: você também está preso a um?

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Você tem algum ídolo? Alguém que você admire e até cultue? Ayrton Senna, Gandhi, Jesus, Steve Jobs, seu pai ou sua mãe? Alguém?

Provavelmente sim, afinal de contas, se pertence a mesma cultura que eu e grande parte do ocidente capitalista pertence, você também está escravizado pela tola ideia de que ter um ídolo é algo bom para você, sua família e seus filhos e que isso, de alguma forma, os impulsiona a ser alguém melhor amanhã.

Neste artigo vou tentar te libertar desta crença de que dar a vida para o seu time ser campeão ou para ir ao show do seu artista predileto tem real importância para a sua vida.

Pensemos juntos.

Nós nos tornamos tão certos das nossas certezas que nos tornamos incapazes de questionar as coisas que se tornaram inquestionáveis. Tanto que dizem por aí que religião, política e futebol não são assuntos que se discutem.

“Se mudarmos a palavra aceito para questiono, a humanidade daria um salto.” (Tweet Isso)

Outro dia sugeri para uma pessoa fazer jiu-jitsu e ela me disse que o esporte era muito violento. Noutra ocasião, com outra pessoa, sugeri que lesse o livro Minha Autobiografia Espiritual do Dalai Lama porque ela estava passando por problemas de relacionamento na sua família e a resposta foi que não seria possível porque ela era cristã. Daí, cai na asneira de perguntar quanto um amigo gastava por ano acompanhando seu time de futebol porque ele me disse que estava cheio de dívidas e tive como resposta que com o time dos outros não se brinca.

Eu poderia citar um sem número de situações onde acabei sacudindo a poeira sobre os preconceitos das pessoas com quem convivo, mas vou preferir me ater somente a estes três exemplos.

Perceba que em todos os exemplos houve uma valorização de um conhecimento repetido que confrontava os desejos da própria pessoa.

  1. Quero emagrecer e fazer atividades físicas, mas não aceito sugestões que conduzem para uma prática esportiva que entendo como violenta, mesmo sem nunca ter assistido a um treino de jiu-jitsu.
  2. Quero aprender a conviver melhor com as outras pessoas, mas não me permito ler o livro de uma pessoa de outra religião.
  3. Quero me livrar das dívidas, mas não quero abrir mão do prazer de acompanhar meu time por onde quer que ele vá porque quero estar com ele até a morte.

“A verdade não está com os homens, mas entre os homens.” ~ Sócrates (Tweet Isso)

O que acontece quando temos ídolos

Acontecem duas coisas imediatamente no nosso modo de pensar e agir logo assim que admitimos ter um ídolo.

Nós nos separamos das outras pessoas e dos nossos próprios ídolos e limitamos a nossa capacidade de crescimento a performance obtida por quem idolatramos.

Fico realmente espantado quando um cristão diz amar a Jesus, mas não pratica o exercício de se comportar como ele, separando as pessoas com quem convive através da sua crença ou mesmo desrespeitando a família, a casa ou a comunidade onde vive. Já escutei respostas do tipo “Jesus era Jesus, eu sou eu.”

Me espanta também o fato dos empreendedores cultuarem figuras como Steve Jobs, Bill Gates e Mark Zuckerberg, mas continuarem com os seus planos infelizes de obter renda extra trabalhando a partir casa em negócios estruturalmente duvidosos ou se contentando a fazer as mesmas coisas que outras pessoas fizeram sem um mínimo de desejo de impactar o mundo com suas ideias como fizeram e fazem seus ídolos.

Idolatram tantos outros como Ayrton Senna, Gandhi e Mandela, mas são incapazes de fazer o mesmo que esses caras fizeram. Tratam eles como se fossem pessoas escolhidas por algum ser sobrenatural para terem se tornado quem foram.

Vivemos em uma sociedade limitada, cheia de certezas, separados uns dos outros. O problema do outro é julgado e sentenciado por nós porque ele é de outra casta, outra classe social, outra cor ou tem problemas que nós, no alto da nossa divindade, não possuímos. O problema do outro deveria ser nosso, inteiramente nosso.

“Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.” ~ Krishnamurti (Tweet Isso)

O que acontece quando dividimos e limitamos

Dividindo e limitando, não aceitamos a vida do outro. Ele é diferente. Ele não é igual. Ele não torce para o mesmo time que torcemos ou pertence a mesma religião que seguimos. De fato, chegamos a pensar infelizmente, que indivíduos como esses (diferentes de nós) deveriam morrer ou no mínimo, não precisariam ter existido.

O que é a violência senão a ação da não aceitação?

Gosto muito de estudar a respeito de discursos e essa semana estava assistindo a alguns discursos de Hitler. Sim, Hitler. Aquele ser humano que acreditando em todo o seu potencial de ser humano, conseguiu convencer milhões de pessoas de que o seu propósito no mundo era construir uma nova raça de seres humanos, proferindo, em alguns dos seus discursos o seguinte:

“Queremos que nosso povo ame a paz, mas que também seja valente. Vocês devem ser pacíficos. (…) Diante de nós a Alemanha repousa. Dentro de nós a Alemanha queima. Ao nosso lado, a Alemanha segue. (…) Aniquilarei cada um que se oponha a mim.”

“Enquanto os bons não fazem a sua parte, os maus acreditam ter todo o poder.” (Tweet Isso)

Elegemos um ídolo, mas não temos um ídolo dentro de nós e tampouco observamos nosso próximo como um ídolo. Seguimos ouvindo e cultuando aquilo que nosso ídolo pensa, diz e faz, enquanto nos tornamos incapazes de pensar. Compartilhamos, comentamos, divagamos, mas permanecemos seguindo nossos ídolos ao invés de nos tornarmos, nós mesmos, nosso próprio mestre, nosso próprio ídolo, pensando pela nossa própria cabeça.

“A massa age e reage ao modo de quem a rege, seja um ídolo, um credo ou caos.” ~ Thimer (Tweet Isso)

E assim, não progredimos.

E não digo progredir na escala social, mas não progredimos internamente, não crescemos como seres humanos.

Distraídos e agora limitados por nossos ídolos, nos contentamos a seguir a vida absorvendo as vitórias de quem idolatramos como nossas próprias vitórias.

Eu e você podemos nos tornar nosso próprio mestre, nosso próprio ídolo, pois é fantástico olhar para trás e vermos o quanto progredimos na nossa própria vida se persistimos em um caminho liderando a nós mesmos, não buscando liderar os outros. O seu ídolo, com certeza, não teria feito o mesmo que você, porque ele teve a vida dele, não a sua vida.

Não se limite pelo seu ídolo. Ele não é melhor que você porque ele nunca viveu a sua vida. Só você sabe o que você passou e passa, assim como ele, e só ele, sabe o que ele passou e passa. Não temos como trocar de vida, logo, você não pode, de forma alguma, dedicar a sua vida a um ídolo que não seja você mesmo.

“Quem quiser ser líder deve ser servidor. Se você quiser liderar , deve servir.” ~ Jesus (Tweet Isso)

Ídolos são apenas referências

Não precisamos dos nossos ídolos, precisamos dos seus valores.

Pegue os valores que mais admira nos seus ídolos e cultive-os dentro de você.

Admira o foco e perseverança do Ayrton Senna? Excelente! Pegue essas duas qualidades e incorpore-as diariamente na sua maneira de agir. Admira a amorosidade de Jesus? Ótimo! Pegue essa qualidade e a utilize verdadeiramente no seu dia a dia. Ame cada pessoa que passar na sua frente e encare seus “inimigos” como apenas seus instrutores desse amor de Cristo que você passou a exercitar.

De forma alguma se permita viver na sombra do seu ídolo. Pegue a sua oportunidade de viver e escreva o seu nome no livro da vida, na história da humanidade. Você tem o mesmo poder que qualquer outro grande ser humano que já passou ou irá passar por esse planeta.

Já li livros com duzentos, quatrocentos, mil anos, de autores que eram pessoas comuns assim como eu e você. Sempre que eu tenho um livro desses nas mãos, fico extasiado com o fato daquela pessoa ter escrito um livro há tanto tempo e o seu trabalho ainda estar presente no mundo, rodando de mão em mão. Isso representa um poder pessoal imenso!

Eu, você e qualquer um podemos realizar um grande trabalho se realmente arregaçarmos as mangas e vivermos os valores dos nossos ídolos constantemente para nos tornarmos muito maiores que qualquer um deles.

“Eu não tenho ídolos. Tenho admiração por trabalho, dedicação e competência.” ~ Ayrton Senna (Tweet Isso)

De forma alguma, devemos seguir o caminho dos outros, saindo daquilo que é mais importante para nós, verdadeiramente importante. Devemos seguir a nossa própria missão e viver o nosso próprio papel.

Ídolos são ótimos como referência, mas não como regra de vida.

Que fique a mensagem.

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