Somos todos diferentemente iguais

Eu sempre gostei de olhar o tatame como o palco da vida.

A gente chega na academia com as roupas e objetos que nos diferenciam dos demais.

Carregamos também nossas palavras e nossos sentimentos que nos destacam na multidão e que nos tornam seres diferenciados.

Mas depois de sair do vestiário, já de quimono, descalços e prontos para entrar no tatame, olhamos para os outros e percebemos que ali todos jogam com as mesmas pedras.

Cada um com seus dois braços, duas pernas e uma cabeça, prontos para abaixar a cabeça, entrar no tatame e treinar com os demais.

Uns trazem faixas coloridas na cintura, demonstrando que tem mais tempo na prática da arte suave.

Não que isso realmente signifique algo.

Hélio Gracie, um dos fundadores do jiu jitsu brasileiro, dizia que faixa só serve pra não deixar a calça cair.

Algo assim.

A cor da faixa funciona como a barba, o bigode e os cabelos brancos que apenas sinalizam que o portador de tais adereços corpóreos deu mais passos que os outros.

Só isso.

Todo mundo que entra no tatame, independente da cor da faixa, sabe que basta um “mole” ou uma “bobeira”, para que alguém menos experiente o faça engolir o orgulho de ter caminhado mais.

A vida no jiu-jitsu é assim: todo dia você começa do zero.

Todo dia você sabe que tem que superar quem você era no dia anterior para não dar “bobeira” e te atropelarem.

A vida real também é assim.

Você pode ter mais cabelos brancos e rugas que a outra pessoa ao lado, mas se não se vigiar pode sofrer muito ao cometer um erro de novato.

Nós deveríamos agradecer todos os dias que temos a oportunidade de treinar mais um pouco, de entrar no tatame da vida e demonstrar nossa arte.

Nós deveríamos saudar todos aqueles que cruzam o nosso caminho, pois eles nos dão a oportunidade de treinar quem somos.

Nós deveríamos fazer mais e falar menos, como no jiu-jitsu, onde palavras não servem de nada na luta, pois são somente nossas ações que produzem resultados.

Eu gosto de pensar na vida como um tatame e agir como que em um treino.

Pois, diante de tanta adversidade, o mais sensato é se considerar diferentemente iguais.

Só isso.


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