O senso comum interpreta que quando nos dirigimos a alguém como mestre significa que assim o chamamos porque esse alguém nos guia.

Ou seja, existe uma relação de parceria entre mestre e discípulo deixando o mestre acima deste último.

Entretanto, mestre, antes de mais nada, é mestre de si mesmo, não mestre dos outros.

Os outros, seus discípulos, admiradores e críticos, apenas compartilham da vida de quem está no caminho de ser mestre para fazê-lo trabalhar o seu mestrado sobre si.

Um dos melhores exemplos que eu tenho sobre isso aconteceu quando eu frequentava as reuniões de um templo budista no Rio de Janeiro.

Em uma dessas reuniões fomos apresentado ao Márcio, um menino de 15 anos que era tutor de outros três meninos de 10 a 12 anos de idade.

Márcio estava dando um testemunho sobre como ter essa responsabilidade de tutor havia mudado a sua vida enquanto ele passava por uma grande prova na sua vida particular.

Fazia pouco tempo que Márcio havia perdido a sua mãe que sofreu de câncer durante muitos anos até vir a falecer.

Isso fez com que ele ficasse revoltado com a natureza da vida, quase saindo do caminho que havia escolhido como o melhor para si.

Foi quando um dos meninos que tutorava reclamou com ele sobre as exigências que a sua mãe fazia sobre as coisas da escola, cogitando abandonar a casa para ir morar com o pai em outro estado.

Márcio percebeu que sua revolta com a vida era refletida naquele menino que agora chegava até ele para pedir conselho sobre o que fazer.

Não preciso dizer que o final dessa história foi a redenção de ambos para aceitar o que a vida estava lhes entregando naquele momento ao invés de questionar ou se revoltar com a natureza dos fatos.

Uma vez que você aspira a ser como Francisco de Assis, Gandhi, Jesus, Buda ou qualquer outra pessoa que você admire, você deve se colocar neste caminho e buscar agir como estas pessoas.

Não para ser como elas, mas para ter a vida guiada por elas, já que como mestre de si mesmo, na maioria das vezes você estará sozinho com os seus próprios pensamentos e emoções e isto poderá lhe tirar do prumo.

E é exatamente nesta hora que você deve se lembrar do que é mais bonito na vida de alguns desses homens que mencionei:

  • Se é abraçar a vida como ela é ou resistir bravamente as mudanças.
  • Se é dar a outra face ou bater naqueles que te julgam.
  • Se é receber atos de violência de braços abertos ou revidar com mesma força esses atos.
  • Se é viver uma vida simples a serviço da humanidade ou uma vida de luxos a serviço do próprio umbigo.

Tornar-se mestre não é algo que acontece de um dia para o outro, mas se você se colocar no caminho e despir-se bravamente de tudo aquilo que os mestres não carregam, certamente o sentimento que você guarda por eles te auxiliará.

Vale salientar que geralmente mestres são tidos como otários, idiotas e malucos e na grande maioria das vezes criticados porque vão contra o senso comum.

Mas se você escolheu o seu caminho para o mestrado, não ligue se te crucificarem porque eles não sabem o que estão fazendo.

Seja um otário e conserve a humildade acima de tudo.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

CONTEÚDO POR E-MAIL

Digite o seu e-mail abaixo e receba semalmente artigos, vídeos e dicas direto no seu e-mail