O cachorro sem nome

Há algum tempo atrás, lá na Colônia Rebouças, vivia um cachorrinho muito feliz e contente.

Ele corria para lá e corria para cá.

Latia para as galinhas, corria atrás dos passarinhos e fugia dos cavalos.

Apesar de tanta alegria e divertimento, o cachorrinho às vezes ficava triste num canto do quintal.

Deitadão, pegando aquele solzinho que bate de manhã perto do meio dia, ele ficava pensando qual seria o seu nome.

E um dia, como se uma mosca tivesse pousado no seu focinho e o assustado, o cachorro ergueu a cabeça espantado como quem teve uma grande ideia.

Levantou-se rápido, esticou as patas, chacoalhou todo o pelo e se pôs a correr.

Foi direto falar com um dos cavalos que tentava abanar as moscas do seu rabo.

“Ô seu cavalo” – latiu o cachorro – “Qual é o meu nome?”

E o cavalo respondeu relinchando: “Não sei.”

E o cachorro retrucou: “Eu queria tanto saber o meu nome.”

E vendo o cachorro triste o cavalo relinchou outra vez: “Se quiser saber o seu nome, terá que perguntar a uma das vacas.”

O cachorro então levantou as orelhas como quem entendeu o que o cavalo disse e se pôs em disparada para falar com uma das vacas.

Chegando no pasto, onde uma vaca grande e malhada pastava, latiu:

“Ô dona vaca… Qual é o meu nome?”

E a vaca respondeu mugindo: “Não sei.”

E o cachorro latiu com a cara de quem quer mais comida: “Eu queria tanto saber o meu nome.”

E vendo o cachorro triste a vaca mugiu em resposta: “Se quiser saber o seu nome, terá que perguntar a uma das galinhas.”

O cachorro então suspendeu as patas dianteiras para ficar em pé em agradecimento a vaca e saiu correndo para o galinheiro.

Chegando lá, latiu para a galinha que estava no puleiro mais alto:

“Ô dona galinha… Qual é o meu nome?”

E a galinha respondeu cacarejando: “Não sei.”

E o cachorro latiu com a cara de quem acabou de sair da chuva: “Eu queri tanto saber o meu nome.”

E vendo o cachorro murcho a galinha cacarejou em resposta: “Se quiser saber o seu nome, terá que perguntar a um dos patos que moram no lago.”

O cachorro então balançou todo o seu corpinho serelepe como se tivesse visto o seu dono chegar e saiu correndo na direção do lago.

Chegando lá, avistou um pato muito frondoso com cara de sábio que nadava solene no lago.

O cachorro latiu de longe:

“Ô seu pato… Qual é o meu nome?”

E o pato grasnando respondeu: “Não sei.”

E o cachorro latiu chorando como quem se perdeu de casa: “Eu queria tanto saber o meu nome.”

No que o pato respondeu: “Ora! Ora, lindo cãozinho, se quiser saber o seu nome, aproxime-se do lago, olhe para a água cristalina à sua frente, admire-se no espelho dessa água e um nome virá a sua cabeça.”

Foi o que o cão fez.

Vagarosamente se aproximou do lago, botou suas patinhas próximas a borda e esticou sua cabeça para olhar a água.

Lá embaixo, refletido na água, viu um cãozinho lindo, de pelo branquinho que parecia com uma ovelha.

Seus olhos cor de mel, encheram-se de lágrimas e um nome veio á sua cabeça.

“Meu nome é Fofo! Meu nome é Fofo!” latiu o cãozinho para todos os cantos.

Correndo em disparada Fofo passou pelo galinheiro, pelo pasto das vacas e pelo estábulo latindo feliz e contente dizendo a todos qual era o seu nome.

Naquele dia Fofo dormiu satisfeito e as pessoas daquele lugar descobriram que às vezes quando um cachorro fica latindo feito um louco, pode ser porque simplesmente ele descobriu o seu nome. Só isso.