A origem de todos os nossos conflitos

Você já parou para perceber que somos nós que criamos nossos próprios problemas?

Apesar de estarmos vivos, alimentados e respirando, sempre passamos o dia com algum (ou alguns) problemas.

Imagine um cara, evangélico, criado na zona nobre de uma cidade qualquer do Brasil numa família de classe média alta que encontra um outro cara, budista, criado na periferia da cidade numa família de classe baixa.

Qual é o problema desse encontro?

É o fato deles serem de religiões distintas, terem vivido em zonas opostas da cidade ou terem sido criados com diferente quantidade de recursos financeiros?

Não. Este não é o problema.

Imagine agora um cachorro, de raça, criado dentro de apartamento em uma área nobre da cidade comendo ração de qualidade todos os dias que encontra um outro cachorro, vira-lata, criado na rua desde cedo por um mendigo que o alimenta de vez em quando.

Qual é o problema desse encontro?

Nada. Não é mesmo?

Ambos sabemos que na maioria das vezes o primeiro encontro dará algum tipo de problema, certo?

Mas qual a diferença entre o primeiro e o segundo encontro que nos faz enxergar claramente que no segundo não haverá problema algum de convivência?

Vou explicar para você…

O problema é que quando dois seres humanos se encontram, um presume que o outro pensa ou deve pensar do mesmo jeito que ele pensa.

E é aí que está a base de todos os nossos conflitos.

Diariamente nós julgamos as outras pessoas com base nos nosso conceitos de certo e errado, justo ou injusto, feliz ou infeliz.

Queremos que alguém que vive no Japão e foi criado naquela cultura tenha os mesmos conceitos que nós.

Queremos que alguém que tem uma religião que não a nossa siga os nossos conceitos.

Queremos que alguém que convive conosco diariamente pense e goste das mesmas coisas que nós.

O que é evidente, nunca irá acontecer.

Se somos 1 entre 7 bilhões de pessoas no planeta, é claro que cada uma das pessoas que aqui habita tem pensamentos diferentes dos nossos e que o belo da vida é tentar compreender a realidade em que vivemos pelo olhar do outro.

Ou você não acha pelo menos interessante ter tanta gente que aprecia coisas tão diferentes de você?

Que da próxima vez que encontrarmos alguém, tentemos ser como os cachorros do segundo encontro que propus.

Que olhemos olho no olho do outro, ouçamos o que o outro tem a nos dizer, percebamos nossas diferenças e só.

Sigamos em frente esperando outro encontro acontecer.

 

  • Amon

    Muito bom o seu texto! Continue sempre a nos inspirar!