Os doze trabalhos de Hércules nos dias de hoje

Ontem eu fui ver um filme brasileiro aqui em casa, chamado Os 12 Trabalhos, de Ricardo Elias. Não consegui chegar a metade do filme por causa da interpretação dos atores que achei bastante fraca, mas o que me chamou a atenção foi o fato desse filme tentar ser uma releitura da saga de Hércules, herói que enfrentou a ira dos deuses na mitologia grega e lutou contra seres horríveis para transcender sua condição de simples mortal. Uma história que parece muito com a dos empreendedores desta nova era, onde além de ganhar dinheiro, precisam que suas empresas estejam alinhadas com seus talentos e seu propósito de vida.

Refletindo um pouco sobre essa história, de quem não aceitava a imperfeição de sua condição humana e saiu em busca de algo maior, cheguei a conclusão de que no século passado os empreendedores, de uma forma geral, se preocupavam somente em construir seus negócios para escapar da pobreza e não para alcançar a imortalidade. Poucos foram aqueles que até hoje permanecem em nossas vidas como grandes imortais.

  1. O leão de Neméia: o aperfeiçoamento começa dentro de nós
    Harmonizar-se consigo mesmo e com a sociedade. Primeiro consigo mesmo descobrindo os seus talentos, construindo a base para crescer e procurar o seu lugar na sociedade e não somente ocupá-lo mesmo que este não seja o melhor lugar para se ocupar.
  2. A hidra de Lerna: combate aos vícios
    Tratar, cortar e cateurizar as feridas da nossa alma e as vigiando eternamente para que não renasçam, como fez Hércules a combater um monstro de nove cabeças que mesmo quando cortadas renasciam e ele as teve que vigiar por toda a eternidade.
  3. O javali de Erimanto: vencer o egoísmo
    Vencer o lobo negro que todos possuem dentro de si talvez seja um dos trabalhos mais difíceis que enfrentamos por exigir total dedicação, disciplina e humildade. Além de uma fuga para o mundo interno, buscando afastar-se das idéias mortais e manter-se em um caminho voltado para a iluminação.
  4. A corça cerinita: cultivar a delicadeza
    Substituir os impulsos por qualidades mais nobres, como sabedoria, delicadeza e paciência para atingir as metas que vão além da mera fuga da miséria material e buscam realizar um trabalho grandioso que afete toda a sociedade.
  5. Os estábulos de Áugias: purificação do sentimentos
    Observar diariamente e com honestidade a qualidade de nossas reações e emoções para definir de que maneira nós enxergamos o mundo e como nossos sentimentos reagem a ele.
  6. Os pássaros do lago Estínfalo: recuperar a lucidez
    Parar por alguns instantes durante o dia para ‘ouvirmos’ o lado direito do nosso cérebro que, na sociedade atual, somente e na maioria das vezes é usado apenas quando dormimos. Despertar a nossa intuição e criatividade para lidar com os problemas recupera a nossa lucidez e aviva as idéias de quem somos, de onde viemos, para que estamos aqui e para onde vamos.
  7. O touro de Creta: governar os instintos
    Isso não quer dizer ‘matar’ os instintos, mas sim domá-los para que não pese em nossas decisões do dia-a-dia sentimentos provenientes do egoísmo, pois isto nos fará mais conscientes e menos hipócritas.
  8. As éguas de Diomedes: a arte de amar
    Aprender a entregar o coração com sinceridade, não se deixar levar pela tentação, movido apenas pela atração material. Amar uma causa, amar o que se faz, amar o próprio negócio e se apaixonar pelas próprias idéias.
  9. O cinturão de Hipólita: a coragem de ser autêntico
    A importância de construirmos laços afetivos duradouros, pois que a arte de conquistar pessoas e liderá-las, não se faz pela força nem pela criação de ilusões e falsas aparências, mas pelo respeito aos outros e pela coragem de mostrar quem verdadeiramente somos.
  10. Os bois de Gerião: a lição do desapego
    Derrotar a cobiça e o desapego que são os dois maiores males da humanidade atualmente. Quando falo em derrotar o desapego não se trata apenas de não cultivar o apego pelo que é material, mas a tudo aquilo que provém do material, como o apego à família, às condições e ao amor com expectativas.
  11. Os pomos de ouro do jardim das Hespérides: descoberta de talentos
    Assim como Hércules enfrentou diversos obstáculos para obter os frutos de ouro de uma árvore encantada, nós temos dentro de nós esses pomos de ouro, que são os nossos talentos e que muitos passamos a vida sem saber quais são.
  12. A captura de Cérbero: valorizar as qualidades da alma
    Nos manter eternos valorizando essas qualidades nos farão prorrogar nossa existência, pois seremos lembrados como heróis e não apenas como simples mortais, lembrados apenas por aqueles que compartilharam a mortalidade conosco.

Eu sempre acreditei que cada um de nós está aqui para ser um herói, descobrindo os seus talentos, desenvolvendo-os e posicionando-se na sociedade para ajudar o seu desenvolvimento de forma harmônica com o meio ambiente e com um propósito maior. Fazer o que se acredita é muito mais difícil do que manter-se nas ilusões criadas pela sociedade atual, mas eu vim pra ser a diferença, e você?