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Como Lidar Com Perdas E Frustrações Sem Decepção E Tristeza

A última vez que eu vi meu filho foi em uma barreira policial.

Ele estava dentro de um táxi, junto da minha outra filha, do meu sobrinho e da minha mãe que saíam às pressas dali por recomendações do policial.

Ficamos eu e minha noiva ali, esperando outro táxi para ir até a delegacia fazer o BO.

Acabávamos de sofrer um assalto.

Um arrastão na Av. Brasil no Rio de Janeiro.

Pessoas armadas com fuzis, pistolas e metralhadoras desceram pelas portas de trás dos seus carros, deram tiros para o alto e vieram tomar o nosso e mais outros quatro carros que vinham atrás deles.

Na minha cabeça uma metralhadora pequena.

Na cabeça da minha mãe, uma pistola.

Na cabeça da minha noiva, um fuzil.

Minha filha acordou de sobressalto e saiu do carro com minha mãe e meu sobrinho.

Eu saí do carro de fino.

Deixando tudo sob os berros do homem que estava na minha janela.

Fui para a porta de trás do carro e tirei meu filho do cinto de segurança.

Levei ele até minha mãe que protegia as outras duas crianças no muro e da minha noiva que estava abaixada também próximo.

Fiquei na frente de todos, em pé, tentando entender a confusão.

Mais tiros. Levaram os carros. Ninguém ferido. Tudo bem.

Um homem vem de longe e se aproxima da gente.

Eu levanto as mãos para mostrar que sou inofensivo.

Ele oferece uma carona até a polícia mais próxima e nós vamos.

Vamos em 10 dentro de um carro. Nós seis e mais quatro pessoas também assaltadas.

Na polícia, providências.

Manda as crianças rápido pra casa.

Vai pra delegacia.

Faz BO.

Depois vai pra casa de táxi torcendo pra não te pegarem de novo.

Você já percebeu que nós podemos morrer a qualquer momento?

Principalmente em uma cidade como o Rio de Janeiro, as estatísticas mostram que nossas chances de morrer aumentam muito mais.

Perdas e Frustrações

Como lidar com perdas e frustrações de um modo realista e humano?

No episódio que eu narrei acima, ocorrido no dia 06/01/2018 na cidade do Rio de Janeiro, meu AMOR FATI foi colocado à prova.

Há anos eu venho buscando me vestir desse conceito criado pelos estoicos na Grécia Antiga e revivido pelo filósofo Friedrich Nietzsche no século XIX e que hoje vou tentar passar para você.

Quem já perdeu um ente querido sabe do sentimento de impotência que sentimos na hora da sua morte.

Não sentimos saudades do que passamos com a pessoa, mas sentimos saudade do que ainda poderíamos viver, mas que nunca viveremos.

Nossas expectativas, colocadas adiante nos ilude dando uma falsa sensação de controle de que as coisas vão ficar sempre do jeito que nós pensamos ser o jeito bom das coisas serem.

Nesse sábado em que fui vítima de um arrastão, fiquei pensando sobre as possibilidades envolvidas ali no meio do caos que se formou à minha frente.

  • Bastava um dos assaltados ter uma arma e estaríamos no meio de um tiroteio.
  • Bastava um dos assaltantes tropeçar e disparar acidentalmente a sua arma para termos tomado um tiro.
  • Bastava o carro não pegar por qualquer motivo e talvez fôssemos assassinados pela raiva do assaltante.

Eu percebo que infelizmente as pessoas colocam muito do seu planejamento futuro nas suas crenças para fugir da dureza que é lidar com a realidade.

Elas desejam que tudo vai correr bem e vai dar certo e por isso admitem que assim o será.

Algumas oram para alguma entidade metafísica e seguem sua vida brincando com as estatísticas de dados que vão contra essas orações.

“Não Marcos, vai dar tudo certo.”

“Fica tranquilo, eu pedi para Nossa Senhora de Alguma Coisa e tudo vai correr bem.”

“Que Deus te proteja meu filho.”

Quando agimos dessa forma, na maior parte das vezes nos frustramos, pois criamos uma ilusão em torno da realidade que está bem na nossa frente e que não queremos enxergar, para satisfazer um desejo tolo de que as coisas aconteçam do nosso jeito.

AMOR FATI é ter amor ao destino, uma aceitação integral da vida e do destino humano mesmo em seus aspectos mais cruéis e dolorosos.

Eu poderia ter perdido um dos meus filhos, meu sobrinho, minha mãe, minha noiva ou mesmo a minha vida.

Seria um caso extremo de realidade que de fato eu não queria lidar e não desejo para ninguém que tenha que lidar com uma situação assim.

Mas e se situação tivesse acontecido?

Não teria sido uma consequência da vida? Ou melhor, não teria sido a própria vida se manifestando assim como ela se manifestou para as coisas terem dado “certo”, todos termos saídos vivos e só nos ter restado um pequeno trauma psicológico?

Como não se decepcionar com as perdas da vida?

Encare as perdas e frustrações como parte da vida.

Vida é toda a manifestação vivente.

  • É o assaltante e o padre.
  • É o velho e a criança.
  • É a barata e gato.
  • É a morte e o nascimento.
  • É o estupro e o beijo na ponta do nariz.
  • É o câncer e a cura.

Se tudo é vida, tudo precisa ser encarado como fatos da vida.

A gente só se decepciona porque algo acontece fora daquilo que esperávamos, mas quando nós esperamos a VIDA, tudo acontece de acordo com ela e aí não há como se decepcionar.

Eu fui ao Rio de Janeiro para visitar a minha família, mas para também ir ao CEFET-RJ dar entrada no meu diploma de ensino médio.

Já se passaram 20 anos que eu saí do ensino médio, mas eu até hoje não havia ido pegar esse diploma porque fui viver a vida como profissional da área de tecnologia e nunca precisei dele. Nem quando me matriculei numa universidade particular para cursar administração de empresas.

Entretanto no ano passado eu prestei vestibular para filosofia a título de teste para a Universidade Federal do Paraná.

Para meu espanto, sem estudar nada, eu passei na primeira fase.

Fiquei muito contente e animado com a possibilidade de poder voltar aos estudos em um curso que eu adorava e tudo tinha a ver com a minha profissão futura.

Então me meti a estudar para a segunda fase (gravei até esses vídeos aqui) e fui fazer a prova meio sem expectativa também porque eu nunca havia estudado filosofia na vida e não sabia como estaria minha redação apesar de ter tido aulas particulares com a minha noiva que é formada em letras.

Fiz a prova e para meu espanto, passei de novo, passei no vestibular.

Agora vei a zica…

Entretanto, com o assalto no Rio de Janeiro, eu adiantei a viagem de volta para Curitiba porque não suportava mais ficar naquela cidade (fugi de lá) e com isso, ficou pra trás meus documentos para dar entrada no meu diploma de ensino médio.

Agora, talvez eu não entre na universidade porque não fui buscar meu diploma em 20 anos e quando resolvi ir, não consegui. Deixei pra cima da hora e tomei.

É a vida.

Me frustro? Me decepciono? Aceito.

O resultado do vestibular veio como uma afirmação da minha capacidade de ter conseguido tamanho sucesso depois de ter saído da escola 20 anos atrás, mas também com um atestado de bocozisse.

Se eu não entrar por conta da documentação, farei com esses limões uma bela caipirinha e mais vídeos com o resultado dos meus estudos serão publicados no meu canal no YouTube.

Preste atenção nisso:

A frustração geralmente é o resultado da não satisfação das expectativas que o seu eu de agora tem para com o seu eu futuro ao ignorar as questão que o seu eu do passado carrega.

  • Não brinque com as estatísticas.
  • Não use a sua fé metafísica para encobrir a realidade dos dados.
  • Não se deixe de lado para satisfazer desejo dos outros.

A vida cobra e geralmente seus juros são os mais altos.

Em 10 anos em que este blog está no ar eu já perdi pai, sogro, égua, empresa, namoro, casamento, etc. Sei bem o que é perder e utilizei cada perda para enxergar a verdade sobre a vida por trás de cada uma dessas perdas.

Se você não consegue sair de uma situação de perda, tente enxergar a vida por trás dessa perda e veja o que além dessa perda existe na sua vida para ser vivida.

Atualização 19/01/2018: Consegui fazer matrícula na UFPR com o Boletim de Ocorrência e me deram um prazo de 90 dias para apresentar o certificado. Ou seja: sucesso!

E lembre-se:

Qualquer tipo de luta é sempre contra si mesmo
.

Marcos Rezende

Faixa roxa de jiu-jitsu brasileiro pela equipe Atos Loyalty Curitiba, estudante de filosofia na UFPR e aprendiz de investidor em parceria com o GuiaInvest que desde 2008 conduz este projeto com a missão de motivar e apoiar pessoas a superar seus medos e suas crenças para se tornarem elas mesmas.

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