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Deixa Disso

Se tem uma coisa que deixa qualquer um com raiva no tatame é o camarada querer te estrangular com o braço no meio da tua cara, quase quebrando o seu nariz e os seus dentes.

Em toda academia de jiu jitsu tem um pessoal meio bruto e sem noção e na minha não foi diferente.

Mesmo sem o estrangulamento encaixado meu companheiro de treino da época queria me submeter pela força não sei por qual motivo.

Tamanho do seu ego, cansaço, não sei.

Sei que quando ele deu uma de louco e forçou o estrangulamento que não existia eu saí do sério e acelerei pra cima do cara de qualquer jeito.

O treino virou uma briga disfarçada de jiu jitsu.

Me lembro de ter rolado pelo tatame pra lá e pra cá com o cara, tentando fazer alguma coisa desesperadamente com ele, enquanto ele tentava fazer o mesmo comigo.

Eu já tinha uns dois anos de jiu jitsu, treinando todos os dias com o meu professor que eu tanto respeitava.

Eu estava indo bem nos treinos, mas naquele dia, esqueci o jiu jitsu.

O treino ficou feio e eu me lembro de ter olhado de rabo de olho para o meu professor que estava com uma cara de espanto e reprovação.

Virei o corpo e avistei a foto tradicional de Carlos Gracie na parede de braço cruzados como que observando o que estava acontecendo.

Foi o que bastou para eu ter aceitado uma posição qualquer do meu companheiro, dado três tapinhas e parado o treino.

Meu semblante era de vergonha.

Saí cabisbaixo, pensativo e me sentindo bastante mal.

Passei as próximas 24 horas assim.

Me sentindo um bosta.

Não pense que era porque tinha desistido de lutar, mas porque eu havia abandonado aquilo que estava treinando há tanto tempo.

No outro dia, aproveitei que sempre chegava cedo e pedi desculpas para o meu professor que, na sua sabedoria, disse que tudo bem e me ensinou mais uma de suas grandes lições que muitas das vezes nem ele percebia que ensinava.

Me disse que forte é aquele que se controla, não aquele que agride.

Passados alguns dias, meu companheiro louco chegou para treinar e nós começamos o “rola”.

Na sua loucura, ele tentou de novo me desestabilizar, mas desta vez eu estava preparado.

Ao invés de reagir, fui atrás dele, derrubei, caí com ele de costas no chão e ali fiquei.

Fiquei igual uma mochila nas costas dele e o prendi a mim até o treino acabar.

Foi mágico.

Eu não agi, só prendi seus braços e suas pernas sem tentar nenhum golpe.

Ele ficou enfurecido por estar simplesmente preso.

Pulava de um lado para o outro, se cansava, mas ficava ali.

Preso. Só isso.

Daquele dia em diante meu companheiro de treino nunca mais deu uma de louco comigo e passou a me respeitar, ao mesmo tempo em que eu pude dar a ele novas oportunidades de treinarmos juntos educadamente.

Eu pude perceber desta vez o olhar de aprovação do meu professor e pude sair orgulhoso de ter agido pelo não agir.

Não fiz mal e não deixei que me fizessem mal.

E agora eu te pergunto?

Quantas vezes você já não saiu do sério e se arrependeu depois?

Para estragar a nossa vida, basta uma atitude maluca que tudo o que foi construído pode ruir de uma hora para outra.

Nossa principal doença enquanto humanidade é querer proteger nosso ego através da luta, da crítica, da grosseria e da violência.

E poucos são aqueles que percebem que não dizer, não brigar, não lutar, é sinal sanidade mental e amor.

Que a lição do estrangulamento no meio da cara seja levada para o nosso dia a dia, quando algo ou alguém tenta nos tirar do sério.

Você não perderá nada se não brigar.

Na verdade, se pensar bem, todos saem ganhando quando não brigamos.

Mesmo que o mundo e o seu ego queira te dissuadir a brigar, não troque uma conquista de longo prazo por um prazer de curto prazo.

É insano.

Marcos Rezende

Empreendedor, criador de sites em WordPress na DoutorWP, faixa roxa em jiu-jitsu brasileiro e vestibulando de filosofia da UFPR 2018 que em 2008 criou este site e a empresa Insistimento com a missão de vida motivar e apoiar pessoas a superar seus medos e suas crenças para se tornarem elas mesmas.

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