O sofrimento é um ponto de vista

Olha como a gente sofre à toa…

Tem dias que eu fico satisfeito porque está fazendo sol.

Dá pra lavar roupa com tranquilidade e ir na rua comprar algo pra dentro de casa.

Tem dias que eu fico chateado com o calor.

Mal dá pra ficar em casa e qualquer ida na rua faz a gente voltar com a roupa colando no corpo cheio de suor.

O mesmo acontece quando chove.

Quando preciso lavar roupa, fico chateado, mas quando quero ficar em casa vendo filme ou dormindo, não há nada melhor que uma chuvinha batendo na janela para relaxar.

Você não acha estranho mudarmos de humor conforme as coisas externas vão acontecendo a seu bel-prazer dependendo do nosso ponto de vista?

  • A máquina de lavar quebra e se você queria trocá-la por outra, fica feliz, mas se não queria gastar dinheiro agora com isso, fica triste.
  • Se perdemos o emprego e já tínhamos outro engatilhado, ficamos felizes, do contrário, ficamos tristes.
  • Quando alguém importante pra gente morre, ficamos tristes, mas quando alguém que não gostamos morre, ficamos felizes.

Nós estamos sempre colocando os eventos do mundo sob a perspectiva da nossa mente ao invés de enxergá-los apenas como eventos.

  • O clima sempre muda.
  • Máquinas se desgastam até parar de funcionar.
  • Relacionamentos profissionais e afetivos acabam.
  • Pessoas morrem.

Enxergando esses eventos de forma genérica, perceba que não temos nenhum apego a eles, mas quando colocamos nosso desejo de posse sobre eles (nossa máquina, nosso emprego, nossas pessoas) a instabilidade emocional fica iminente.

  • Mas por que buscar ser estável emocionalmente?
  • Por quê se esforçar para não se abalar diante dos acontecimentos?
  • Por quê tentar viver lidando com o dia que é entregue ao invés de colocar sobre ele nossos desejos?

Ora, porque depois de todos os exemplos simples que demonstramos aqui, parece ser esta a maneira mais tranquila para se lidar com a vida, uma vez que se continuarmos buscando a felicidade no desejo daquilo que gostaríamos que acontecesse, permaneceremos em constante sofrimento.

Vamos parar de oscilar e se centrar?


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  • Gustavo Seabra da Silva

    Você realmente acredita nisso? Não bate uma ansiedade de que, talvez, assim desse jeito seria “desapego demais”? Você escreveu algumas vezes sobre budismo. Essa sua visão tem algo haver com budismo?

    • Nossa Gustavo. Essa minha visão tem a ver com tanta coisa que é difícil de definir uma linha, mas hoje estou lendo muito sobre estoicismo e vale muito à pena.