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Flavio Augusto da Silva e Kaká no Orlando City

O que Flávio Augusto da Silva pode *realmente* nos ensinar sobre abrir uma empresa de sucesso

Quando a gente fica sabendo de histórias de como começou a vida do empreendedor Flávio Augusto da Silva, fundador e atual dono da WiseUp e dono do time de futebol Orlando City nos Estados Unidos, ficamos entusiasmados e motivados a se arriscar da mesma forma.

Não que fosse intenção do Flávio incentivar quem o segue assumir grandes riscos, mas por conta da nossa má formação em empreendedorismo, entendemos que só é empreendedor quem tem capacidade para se arriscar (e muito).

E isso não está correto.

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Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

Capitalismo e ambição é coisa para poucos

Ontem compartilhei esta matéria da Forbes na página de fãs do Insistimento e recebi duras críticas de um de nossos fãs apontando o dedo para o Flávio Augusto, fundador das escolas de inglês Wise Up a respeito do seu início de carreira “vendendo cursos que não existiam e estabelecendo metas de vendas inalcançáveis” (palavras do fã). Não me surpreendi com a crítica porque todas as pessoas que crescem e aparecem mais que as outras, são fatalmente apedrejadas e discorro abaixo um pouco sobre o tema.

O pouco que sei da história do Flávio

Sei que o cara foi criado lá perto de onde me criei, em Bangu, na Zona Oeste (e pobre) do Rio de Janeiro. Passou para o Colégio Naval e largou o colégio para começar a ganhar dinheiro em um curso de inglês. Depois de um tempo, criou o seu próprio curso de inglês (Wise Up) tomando um empréstimo de cerca de vinte mil reais no banco para pagar as primeiras despesas e alugar um andar de um prédio na Av. Rio Branco, uma das principais avenidas do centro do Rio de Janeiro. Depois de alguns meses (posso estar errando nessa informação), Flávio abriu uma filial da Wise Up na Brigadeiro Faria Lima em São Paulo, alugando novamente um andar de um prédio nesta avenida, também uma das principais avenidas desta cidade. O negócio prosperou e tudo deu certo (ainda bem), mas já pela introdução, não podemos esperar mais nada do Flávio Augusto além da sua audaciosidade.

Eu nunca começaria assim e talvez seja esta a diferença entre eu e ele como empresários. Enquanto eu administro pequenas empresas, ele administra grandes empresas, um verdadeiro império da educação que o faz hoje ser citado em matéria especial pela Forbes e ser membro da Abril Educação. Se eu estivesse no lugar dele, aos 23 anos de idade, abrindo a Wise Up, provavelmente começaria pequeno, com alguns professores, algumas turmas e com uma área comercial que evitasse “estancar” a empresa. Em outras palavras, evitaria “arrebentar”. Entretanto, o Flávio não era assim e provavelmente não é assim até hoje. O cara simplesmente aluga uma sala comercial no centro do Rio de Janeiro com vinte e três anos e sem dinheiro. Monta uma equipe comercial daquelas que o Ricardo Jordão (Biz Revolution) ficaria orgulhoso de coordenar. Evidentemente ele deve ter matado 20 leões por dia, vendido coisas que ainda não existiam como cursos, salas de aulas e professores. Enquanto o carro andava, ele trocava pneu, reabastecia e ajustava os freios. Algo que pouquíssimos empresários tem capacidade d efazer.

O pouco que sei a respeito de administração de empresas

Seus clientes ficarão insatisfeitos com você. Ponto. Definitivo. Não importa o serviço que você entregue, sempre você vai ter clientes que ficam insatisfeitos com você. Na medida que você cresce você cometerá bastante erros. Ponto. Definitivo. Não tem jeito. No ano passado uma das minhas empresas de tecnologia chegou a ter dez funcionários. Em dois anos apenas, triplicamos o faturamento da empresa que teve um baque no final do ano passado conforme pegamos projetos maiores e não conseguimos atender. Merda. Clientes insatisfeitos, sócios putos, funcionários demitidos. Pausa para se reerguer.

Só quem administra empresas consegue entender a “zica” que é você lidar com gente. Seja funcionário, cliente ou fornecedor. Você rebola de um lado para o outro, priorizando o que não poderia ser priorizado para atingir as suas metas. Hoje eu participo da administração de uma loja de portas especiais aqui em Curitiba tendo uma pequena participação sobre o faturamento da empresa em troca de desenvolver o seu plano de internet e aumentar o leque de representantes comerciais da empresa em todo o Brasil. Os mesmos problemas acontecem. Lidamos com funcionários, clientes, fornecedores e rebolamos muito para entregar preço, prazo e qualidade para nossos clientes. Isso porque administramos uma empresa estável, que vende algo palpável como portas e janelas. Além disso, também vejo o mesmo problema acontecendo com amigos meus e outros clientes que rebolam de um lado para o outro para sobreviver na selva de pedra da administração de empresas. Agora imagine um cara com 23 anos abrindo um negócio no centro do Rio de Janeiro e outro no centro de São Paulo. Tem que ter capitalismo e ambição na veia para fazer isso meu camarada e eu fico daqui batendo palma pra um cara desses.

Vendedores são pessoas boas

Todo empresário deve ter a sua veia de vendedor bem desenvolvida, pois do contrário a sua empresa não cresce. E sabe como nós, empresários-vendedores, enxergamos pessoas? Nós vemos números e oportunidades de atingir as nossas metas financeiras. Te atendemos bem porque queremos o seu dinheiro. Ponto. Negócios não é filantropia. Empresas vivem para dar lucro e lucro é a diferença entre o dinheiro que entra e o dinheiro que sai da empresa. Fique sem pagar a fatura do seu cartão de crédito e veja como o seu banco irá lhe tratar.

Talvez o maior problema que eu tenha enfrentado na vida, tenha sido um pensamento besta de que “dinheiro é algo ruim” e que “pessoas ricas são pessoas ruins”. Esse pensamento besta de que não podemos nos relacionar com as pessoas com intenções de ganhar dinheiro é um vírus que mata os empreendedores. Não sejamos hipócritas. Existe uma diferença enorme entre eu lhe receber na minha casa para lanchar e lhe fazer uma visita no seu escritório para lhe apresentar a minha empresa. Quando você vai na minha casa eu pergunto coisas sobre a sua família porque realmente estou interessado na sua história, mas se eu for na sua empresa, só farei esse tipo de pergunta se enxergar que através dela posso ter a oportunidade de fechar negócios com você. Na rua eu quero conseguir o máximo de dinheiro que puder. Ponto. Este é o lema dos empreendedores-vendedores e provavelmente também era o lema do Flávio Augusto aos vinte e três anos. Não precisamos ser desonestos, mas quando estamos no início da empresa, vendemos algo que ainda realmente não existe.

Vamos parar de criticar Bill Gates, Steve Jobs e os Flávio Augusto da vida. Os caras venderam o que não tinham e cresceram aos trancos e barrancos melhor que aquelas pessoas que ficam organizando “lojinha” virtual durante dois anos antes de ir para rua, ou aqueles que acham impossível ganhar dez mil, vinte mil, cinquenta mil ou mais em um mês. Quem diz que é impossível, quer te colocar pra baixo meu camarada. Ao invés dele querer subir junto com você, ele quer é que você desça para o nível dele.

Faça a sua vida e saiba que quando você chegar lá em cima, sempre vai ter alguém para te dar uma pedrada. Normal.

Praticante de jiu jitsu, apaixonado por filosofia, escritor, coach, palestrante e um impulsionador de pessoas. Desde 2008 mantém este projeto no ar para ajudar pessoas a superar seus medos e suas crenças e se tornarem elas mesmas. Saiba mais sobre Marcos Rezende.

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