skip to Main Content
Temos Direito Ao Trabalho, Mas Não Aos Frutos Dele

Estou lendo um livro da Editora Pensamento chamado As Quatro Yogas de Auto Realização, mais um livro do excelente escritor e filósofo Swami Vivekananda, que está apontando respostas para questões profundas sobre este exercício diário de conduzir a personalidade no serviço a que temos direito. Neste livro, são demonstrados as quatro yogas (que aqui pode ser traduzida como educação) para a auto realização:

  • Jñana Yoga (yoga do conhecimento),
  • Raja Yoga (yoga da mente),
  • Karma Yoga (yoga do serviço altruísta) e
  • Bhakti Yoga (yoga da devoção).

As que mais tenho facilidade em me aprofundar é a educação por base do conhecimento filosófico (jñana), a educação da mente (raja), a educação através da ação de modo altruísta (karma) e por último a educação através do amor devocional (bhakti). Como filósofo por natureza e empresário, faz muito mais sentido exercitar-me nesta ordem que em outra sendo que foi assim que uma reflexão me acertou em cheio enquanto lia os trechos bem escritos do livro:

“Temos direito ao trabalho, mas não aos frutos dele”

A primeira coisa egoísta que nos vem a mente ao ler esta frase é: “Como assim não tenho direito aos frutos do meu trabalho? Quer dizer que trabalho para nada? Não chegarei a lugar algum com isto aqui? Qual enfim é o meu objetivo se só tenho direito ao trabalho e não a desfrutar dos resultados deste?”

DIREITO
Como garantir que nascerá um pé de feijão de uma semente plantada? Como garantir que a massa do pão crescerá após ser sovada? Como garantir ganho de capital com uma empresa estabelecida? O trabalho foi feito. Nos dedicamos, nos esforçamos e lá está o trabalho pronto e finalizado. Mas e os seus resultados? Como podemos dizer que é nosso direito ver um pé de feijão depois de semear, ver a massa do pão triplicar de tamanho depois de descansar ou ainda receber o lucro da empresa constituída? Por esses exemplos, podemos já perceber que direito nós só temos ao trabalho, pois não há como nos apegarmos aos seus frutos, os resultados desse “plantio” já que esses são abstratos.

Tanto temos direito ao trabalho que em duas obras religiosas da humanidade, a Bíblia e o Bhagavad-Gita, este direito é citado como razão primária para agirmos. Está escrito na Bíblia:

“Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu disse a Moisés.” – Josué cap 1, ver 3.

E mais:

“Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares.” – Josué cap 1, ver 7.

Já no Bhagavad-Gitta temos o diálogo entre Krishna (o verbo divino) e Arjuna (o homem em desenvolvimento), quando este desiste de ir à luta ao ver no campo de batalha seus familiares e parentes:

“Seja o motivo das tuas ações e dos teus pensamentos sempre o cumprimento do dever, e faze as tuas obras sem procurares recompensa, sem te preocupares com o teu sucesso ou insucesso, com o teu ganho ou o teu prejuízo pessoal. Não caias, porém, em ociosidade e inação, como acontece facilmente aos que perderam a ilusão de esperar uma recompensa das ações. Coloca-te no meio entre esses dois extremos e cumpre, em tranquila resignação, o dever por ser dever, e não pela expectativa da recompensa. Conserva ânimo igual na ventura ou desventura: assim é o que faz o yogue.”

Em ambas as escrituras vemos o desapego pelos frutos como característica principal daquele que pretende seguir um caminho reto e agir pelo dever, sem desmerecer o ânimo por agir. É preciso agir. Quando uma mãe amamenta um filho, ela não espera que este o dê algo em troca, ela o faz por amor. Quando um pai sustenta seus filhos, ele também não espera reconhecimento, apenas cumpre o seu dever de pai e é isto. Assim deve ser o exercício diário que devemos realizar na condução das nossas vidas e talvez seja por isso que cada vez mais é levantada a bandeira de fazermos o que amamos, pois só assim agimos pelo puro prazer de agir sem criar expectativas e ainda, ao chegar os frutos desse trabalho, sabemos que ele não nos pertence, pois só fizemos o que podíamos fazer.

Vejo isto muito claro em meus dois trabalhos: um na Noxion como empresário e um aqui como escritor. O primeiro é focado em gerar expectativas e medir os resultados do trabalho. O outro é despretencioso e, sem qualquer expectativa, apenas trabalho. Transformar o primeiro em um exercício tem se monstrado um desafio profundo de alma, mas que demonstra seus resultados quando me vejo livre ou aprisionado a este trabalho.

Sinto-me livre trabalhando quando me coloco totalmente na posição de serviço e entrego tudo o quanto posso para meus clientes. Permaneço atento a cada momento em que sou incitado a servir e a não pensar de maneira egoísta, como quando chega um cliente e me pergunta o que fazer e eu noto que a melhor solução é a de não me contratar, pelo menos naquele momento. Por outro lado, sinto-me aprisionado quando penso que minha empresa não está sendo remunerada da melhor maneira e levo para o lado pessoal acordos comerciais não tão justos que chegam à minha mesa.

Quando penso em mim me aprisiono, quando penso no outro me liberto.

Aqui neste blog, tudo o quanto escrevo não é mérito, é dever. Faço por que posso e sei fazer, mas não por mérito. Entrego isto ao leitor, porque gosto, me faz bem, me exercita e tão somente isso. O reconhecimento que recebo em troca dos leitores não é meu, pois fiz o que sabia fazer, nem mais, nem menos. É muito egoísmo de nossa parte, pensarmos que este mundo precisa de nós. Nós precisamos de nós, isto sim, este é o exercício.

O lugar onde pisar a planta do nosso pé é nosso, mas precisamos pisar. Vamos agir!

E lembre-se:

Qualquer tipo de luta é sempre contra si mesmo
.

Marcos Rezende

Faixa roxa de jiu-jitsu brasileiro pela equipe Atos Loyalty Curitiba, vestibulando de filosofia da UFPR e aprendiz de investidor em parceria com o GuiaInvest que desde 2008 conduz este projeto com a missão de motivar e apoiar pessoas a superar seus medos e suas crenças para se tornarem elas mesmas.

Back To Top
Close search
Buscar