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A nossa cultura ainda vê o trabalho como algo diabólico, errado e indevido. Isto é uma pena, pois as pessoas que são formadas por este tipo de mentalidade estão sempre prontas a tomarem vantagem das outras pessoas ao invés de ajudá-las tendo em vista que somente com essa “vantagem” é que elas irão parar de trabalhar enquanto as outras irão continuar. Já compreendi que não existe essa de não trabalhar. Podemos nos dar férias durante algum tempo, mas parar de trabalhar é algo que não existe. Até mesmo nas férias, estamos trabalhando. Além disso, percebo que somente o costume do trabalho é que nos leva a conquista dos nossos objetivos e não a fuga deles. Foi quando compreendi que o trabalho existe para servir o outro que me indispus com a preguiça que carregava e desatei os nós da inércia fazendo mais a cada dia.

A CERCA
Nesse final de semana completei uma tarefa que nunca pensara em concluir antes: contruí uma cerca. Construí uma cerca que me mostrou que é de pouco em pouco que nós conquistamos algo. É impossível concluir uma cerca, do tamanho como a que construí, em um dia sozinho. A única forma de terminar o trabalho é fazendo pouco a pouco dia após dia. Tive que comprar os 40 mourões (palanques), carregá-los para dentro do terreno, pregar neles os grampos de cerca na medida correta, depois passar óleo queimado nas suas bases e ainda cavar todos os 40 buracos pelo terreno e carregar esses mourões até cada um deles. Para concluir a cerca, faltava esticar o arame pelo terreno passando por entre os grampos para contornar toda a área de quase 400 metros quadrados, numa andança que não acabava mais de pra lá e pra cá. O final de todo esse processo foi um sucesso, do qual o maior beneficiado fui eu por ter aprendido tanto com essa simples tarefa.

LIÇÕES APRENDIDAS
1) Tenha muito claro seu objetivo em mente. Não se importe em saber os pormenores de como chegar até a sua meta, mas cultive claro na sua mente qual é o seu objetivo. Por diversas vezes eu me peguei pensando no como fazer ao invés de pensar no que eu iria fazer. Isto me atrapalhou mais do que me ajudou, justamente porque é muito melhor construir a cerca ao contrário, até chegar no seu início, dentro da nossa cabeça.

2) A cada pequena decisão, pese os prós e contras. Quando pesquisei preço dos mourões, fiquei entre comprar os de concreto ou os de eucalipto. Optei por este último por serem mais leves que os de concreto e por não necessitarem da construção de uma viga de concreto na base para uni-los. Apesar de mais baratos, os de concreto dariam mais trabalho e no todo seriam mais caros.

3) Atente-se aos detalhes da execução do seu plano. Se cada detalhe do seu plano for construído com primazia e esmero, seu objetivo final será concluído com perfeição. A cada amarração do arame nos mourões eu me concentrava para fazer o “laço” mais bonito e perfeito. Isso deu um visual bacana para a cerca e a deixou perfeita, como eu imaginara anteriormente.

4) Imponha-se uma disciplina. Desde o início eu sabia que não concluiria a cerca em um dia ou em uma semana. Eu tinha consciência de que seria a soma de pequenas ações que resultaria na conclusão do meu objetivo. Por esse motivo, desde o início, me impus à disciplina de logo após acordar, ir para o quintal fazer algo pela cerca durante uma ou duas horas. Em um dia, pregava os grampos na madeira e não terminava todos os mourões. Mas ao final de três dias, todos já estavam com seus grampos e eu poderia passar à próxima fase do projeto.

5) Revise seu trabalho duas ou três vezes. Por mais que você possa ter tomado cuidado em todas as fases do processo, revise o seu trabalho duas ou três vezes. Notei que por causa do cansaço nos dias em que passei o arame na cerca, deixei umas brechas na amarração de alguns pontos que tornaram a cerca frágil. Como resultado, minha égua fugiu novamente (mas já a peguei de volta) e eu tive que sentar e refazer tudo aquilo que eu já tinha feito. Se tivesse me atentado mais a cada detalhe, uma ou duas vezes, isto não teria ocorrido.

Sinceramente, senti uma felicidade imensa de ver algo construído totalmente por mim. Nunca havia construído nada real, pois na minha profissão, tudo o que fazemos é virtual. Construindo algo real, não só valorizei o meu trabalho, mas também senti que ele foi mais valorizado por aqueles que conheceram a benfeitoria que eu havia erguido com minhas próprias mãos. Agora só vejo em minha mente, meus próximos objetivos insistidores que compartilharei aqui com vocês.

Por hora, trabalhe. Acostume-se com isso. Imponha-se uma disciplina e não mais existirá impossível no seu vocabulário.

Marcos Rezende

Orientador de produção textual na Mentoria da Palavra, graduando em Filosofia na UFPR com concentração em Lógica e Filosofia da Linguagem, desenvolvedor de sites em WordPress na Agência G13 e faixa roxa de jiu-jitsu brasileiro pela equipe Atos Loyalty Curitiba.

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