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  • Você acredita que bandido bom é bandido morto?
  • Acredita que matar quem cometeu um crime melhoraria a sua vida?
  • Confia fielmente na ideia de que matar um criminoso resolveria os problemas da sociedade?

Já passava das onze horas da noite quando sua filha passando por uma rua escura é roubada, estuprada e morta por um homem preso algumas esquinas depois do local do crime.

A dor que você sente e que todos nós sentimos é terrível.

Dá vontade mesmo de matar.

(Se olharmos essa situação pelo nosso umbigo.)

Pessoas “de bem” dizem não querer violência, mas em alguns casos admite poder tolerá-la.

Afinal, uma pessoa que fez tão mal às outras merece sofrer, passar vergonha e até ser assassinada.

O que só incita mais violência e mais olhares restritos sobre um problema que deveria ser tratado como amplo.

É fácil para mim não roubar.

Afinal, sou homem, branco, hétero, classe média e fui criado por dois pais presentes onde ninguém era viciado em qualquer tipo de droga e que trabalharam para me dar a melhor educação que acreditavam como certa.

Agora, como comparar minhas escolhas às de uma mulher, negra, homossexual, classe baixa, criada na rua em um lugar sem saneamento básico ou por pais drogados e sem nenhum acesso a qualquer tipo de educação?

Qual a probabilidade do primeiro tipo de pessoa se tornar um criminoso em comparação à outra?

E isto é só alguns dos vários nuances presentes na nossa sociedade, pois mesmo aqueles que pertencem a elite da sociedade (sim, a sociedade não é pasteurizada), mesmo tendo acesso a uma educação de “alto nível”, não tem na sua formação o ensino daquilo que é essencial para manutenção da sua vida futura.

  1. Acompanhamento psicológico desde a infância para falar sobre seus traumas, crenças e medos.
  2. Aconselhamento amoroso para auxiliar na condução de um relacionamento afetivo sadio no futuro.
  3. Educação financeira para enxergar o dinheiro de um modo mais inteligente para não se tornar somente um pagador de contas.
  4. Cidadania e política para formar uma pessoa que participa da vida da sua cidade e do seu país fazendo melhores escolhas políticas.

Enquanto isso não se ensina nem nas melhores escolas, quem tem mais acesso aos itens da educação acima e é capaz de fazer melhores escolhas na vida é a elite que geração após geração desde que o mundo é mundo vem se instruindo para gerar pessoas mais capazes de viver melhor que as anteriores.

O que quero dizer com isso tudo é que não é possível comparar dois extremos da vida.

Assim como não se pode olhar um crime apenas pelo ponto de vista individual do criminoso ou da vítima.

Um crime cometido é sempre uma doença da sociedade que de alguma forma não se capacitou para abraçar todos os nuances dela.

Em uma sociedade perfeita, o próprio criminoso seria capaz levar-se a julgamento e a condenar-se sem que para isso fosse necessária qualquer outra autoridade que não ele mesmo.

Utopia? Quem sabe…

 

Marcos Rezende

Orientador de produção textual na Mentoria da Palavra, graduando em Filosofia na UFPR com concentração em Lógica e Filosofia da Linguagem, desenvolvedor de sites em WordPress na Agência G13 e faixa roxa de jiu-jitsu brasileiro pela equipe Atos Loyalty Curitiba.

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