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Quando me percebi gente pela primeira vez, estava descalço.

Meus pés estavam cinza de sujeira e minhas unhas, grandes.

Na minha frente, o meu reflexo no vidro de uma confeitaria.

Eu vestia um shorts verde e uma camiseta vermelha também meio cinzentos.

Olhos grandes e negros.

Cabelo curto, ninguém em volta.

Não era muito alto. Nem muito baixo.

Do outro lado do reflexo, um outro menino diferente de mim sentado em uma mesa.

Calça azul, camisa branca.

Olhos pequenos, verdes.

Cabelo grande, uma mulher do lado.

Também não era muito alto. Nem muito baixo.

Eu estava com fome. Ele, comendo.

Eu estava sozinho. Ele, com gente.

Eu estava sujo. Ele, limpo.

SE SOMOS FILHOS DO MESMO “PAI”, PORQUE SOMOS TÃO DIFERENTES?

Foi o que me perguntei, assim que me dei conta de ser gente.

João

Marcos Rezende

Orientador de produção textual na Mentoria da Palavra, graduando em Filosofia na UFPR com concentração em Lógica e Filosofia da Linguagem, desenvolvedor de sites em WordPress na Agência G13 e faixa roxa de jiu-jitsu brasileiro pela equipe Atos Loyalty Curitiba.

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