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Quando me percebi gente pela primeira vez, estava sol.

Um reflexo enorme batia na xícara atrapalhando a minha visão.

Na minha frente, uma parede de vidro não deixava o calor que vinha de fora entrar na confeitaria.

Eu vestia uma calça azul escura e uma camisa branca bem limpa.

Olhos pequenos e verdes.

Cabelo grande com minha mãe ao lado.

Não era muito alto. Nem muito baixo.

Do outro lado do vidro, um outro menino diferente de mim em pé na calçada me olhava.

Shorts verde e camiseta vermelha acinzentados de sujeira.

Olhos grandes e negros.

Cabelo curto, ninguém em volta.

Também não era muito alto. Nem muito baixo.

Eu estava comendo. Ele, parecia estar com fome.

Eu estava com minha mãe. Ele, sozinho.

Eu estava limpo. Ele, sujo.

SE SOMOS FILHOS DO MESMO “PAI”, PORQUE SOMOS TÃO DIFERENTES?

Foi o que me perguntei, assim que me dei conta de ser gente.

Pedro

Marcos Rezende

Orientador de produção textual na Mentoria da Palavra, graduando em Filosofia na UFPR com concentração em Lógica e Filosofia da Linguagem, desenvolvedor de sites em WordPress na Agência G13 e faixa roxa de jiu-jitsu brasileiro pela equipe Atos Loyalty Curitiba.

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