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O Que A Confecção De Uma Mochila Waldorf Me Ensinou Sobre Fracasso

Há exatamente uma semana eu estava tendo a minha primeira experiência prática como pai de uma Escola Waldorf.

O dia não era dos melhores para a data, já que coincidia com a minha mudança de residência, mas preferi priorizar essa atividade na escola pela excitação de poder me jogar em algo que nunca havia realizado: a confecção de uma mochila para as crianças do primeiro ano.

Um processo que a maioria dos que estavam ali nunca havia passado e que deixou uma importante lição para a vida.

Foram 13 horas de trabalho com pouco ou quase nenhum intervalo onde cada pai e mãe ajudaram a cortar, montar, colar, furar, costurar e fazer o acabamento final das mochilas.

Todos os pais ajudavam a produzir as mochilas de todas as crianças, logo não tinha como escolher aquela que seria do seu filho ou do outro.

Estávamos todos juntos fazendo um trabalho conjunto para os filhos de todos.

E a parte que mais me chamou atenção nesse processo foi observar meus sentimentos quando eu cometia um erro:

  • Eu cometi um erro na confecção de uma alça de mochila.
  • Cometi outro ao fazer uma furação na lateral.
  • E mais um ao colocar os ilhós no acabamento da costura.

Minha frustração por errar chegava a doer porque eu não queria que as mochilas ficassem mal acabadas e muito menos não queria falhar com os outros pais que confiaram em mim para desempenhar bem as minhas tarefas.

Entretanto, percebi que, assim como eu, outros pais também tinham o mesmo sentimento de frustração quando erravam.

  • Era a primeira vez que tentávamos desempenhar aquela tarefa, mas mesmo assim, em cada pequeno erro, nos sentíamos fracassados.
  • Era a primeira vez que tínhamos um contato direto com aquelas pessoas, mas mesmo assim, em cada deslize, nos sentíamos fracassados.
  • Era a primeira vez que nos esforçávamos para concluir um trabalho em conjunto com outras pessoas em favor do conjunto, mas mesmo assim, em cada falha, nos sentíamos fracassados.

O que isso tem a ver com a vida?

Toda vez que a gente se propõe a se relacionar com outra pessoa, seja de forma profissional ou afetiva, nós estamos buscando construir algo com aquela pessoa que nunca vimos antes pela primeira vez.

Da mesma forma que na confecção da mochila das crianças da escola, acidentes acontecem na construção desses relacionamentos:

  • Um e-mail não é respondido.
  • Uma conta não é paga.
  • Um argumento é mal dito.
  • Uma asa de caneca é quebrada.

Como sempre é a nossa primeira vez, inevitavelmente cometemos falhas.

Faz parte.

Mas se dermos tanta importância para as falhas a ponto de pararmos o trabalho que estávamos fazendo, nenhuma mochila ficará pronta e nenhum relacionamento será construído.

Para realizar algo, é preciso se expor ao erro e quando errar, se perdoar.

No final do dia as mochilas ficaram prontas e na segunda-feira seguinte as crianças desfilavam felizes com elas pela escola enquanto nós pais olhávamos orgulhosos o trabalho realizado apesar de todos os erros que foram cometidos.

Viva a vida apesar dos erros.

E lembre-se:

Qualquer tipo de luta é sempre contra si mesmo
.

Marcos Rezende

Faixa roxa de jiu-jitsu brasileiro pela equipe Atos Loyalty Curitiba, estudante de filosofia na UFPR e aprendiz de investidor em parceria com o GuiaInvest que desde 2008 conduz este projeto com a missão de motivar e apoiar pessoas a superar seus medos e suas crenças para se tornarem elas mesmas.

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