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“Estou me sentindo um lixo!”

Foi o que minha amiga disse outro dia para mim.

Profissional super competente da área de marketing e vendas, ela havia sido reconhecida em um bar por um cara amigo do gestor da empresa onde ela trabalhava.

Mas não pelos melhores motivos.

Olha o que aconteceu.

Boa vendedora que era, essa minha amiga conseguiu superar suas metas de vendas dentro de uma grande empresa da sua cidade de uma forma nunca antes vista.

O sucesso foi tão grande que até o dono da empresa a chamou em sua sala para lhe parabenizar e agradecer o seu esforço.

Seu gestor fez questão de anunciar o seu bônus na frente de todos e seus colegas de trabalho saíram com ela no mesmo dia para festejar a sua vitória.

Porém, algum tempo depois em um bar da cidade onde ela morava, minha amiga esbarrou com um cara que disse conhecer o seu gestor e que ele a havia elogiado muito.

Empolgada, minha amiga perguntou:

“Tá! E o que ele disse sobre mim?”

Pensando que a resposta seria algo sobre suas conquistas e sucesso como vendedora naquela empresa, minha amiga teve uma grande decepção.

Ouviu somente:

“Ele disse que você era gata!”

Acho que todos os homens vão concordar comigo que nunca receberam uma avaliação no ambiente de trabalho onde valorizavam mais o nosso corpo que nossos valores e ações.

Minha amiga foi reduzida a uma portadora de um corpo que satisfaz os padrões de beleza propostos pela mídia e se sentiu desvalorizada profissionalmente.

O que me levou a escrever este post e colocar para você as três razões pelas quais eu percebo que as mulheres nunca conseguirão ser bem sucedidas.

Vamos a elas:

1. Não importa o que a mulher faça da sua vida, o que realmente importa é o quanto ela é gata

Eu sempre me surpreendia que ao apresentar uma namorada minha para a minha família, a primeira coisa que falavam era me dar o parabéns pela minha namorada ser bonita.

Ninguém perguntava o que ela fazia da vida, onde ela havia estudado, com o que ela trabalhava.

Simplesmente julgavam minhas namoradas pela aparência e isto bastava.

Pior que isso, era quando completavam a conversa me perguntando como eu estava no trabalho, ignorando totalmente a presença feminina do meu lado.

2. Não importa que a mulher seja gata, ela também precisa fazer algo com a sua vida

Depois que a sociedade valida a beleza do corpo da mulher, ela precisa validar se a mulher tem direito a estar na sociedade moderna desempenhando algum tipo de trabalho.

Além de linda, ela precisa agora trabalhar fora, ganhar muito dinheiro e ter muitos bens para ser valorizada.

3. Não importa se a mulher é gata e faça algo da vida, ela precisa ter um homem

E por último e não menos importante, toda mulher precisa ter um homem.

Quase um quesito obrigatório, porque quando a mulher não está com um homem, até ela mesma se sente incapaz por mais que seja linda ou super bem sucedida profissionalmente.

Concluindo…

Provavelmente, no momento em que ouviu aquele absurdo, dentro de si, minha amiga deve ter desejado não ter aquele corpo só para que fosse valorizada por aquilo que ela realmente era.

Algo aparente e transitório como o seu corpo não poderia defini-la como bela.

Enquanto nós homens crescemos profissionalmente porque nunca tivemos que desviar de uma cantada ou uma situação esquisita, muitas mulheres como a minha amiga, baqueiam e desistem quando enfrentam situações como a narrada acima.

Quando discutimos igualdade entre homens e mulheres e ouvimos histórias como essa, percebemos que ainda existe um grande fosso profissional entre um e outro e que sim, mulheres são constantemente avaliadas pelo corpo que portam que por aquilo que carregam dentro.

  • Até quando a casca definirá a qualidade do fruto?
  • Até quando mulheres serão antes de mais nada portadoras de corpos?
  • Até quando homens serão considerados donos das mulheres?

Marcos Rezende

Orientador de produção textual na Mentoria da Palavra, graduando em Filosofia na UFPR com concentração em Lógica e Filosofia da Linguagem, desenvolvedor de sites em WordPress na Agência G13 e faixa roxa de jiu-jitsu brasileiro pela equipe Atos Loyalty Curitiba.

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