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Todas as filosofias religiosas que conheço incitam essa busca pela eliminação do sofrimento. Filosofias concebidas pelo próprio homem, me levando a crer que a busca pela eliminação do sofrimento é algo plenamente humano. Mas a pergunta que tenho feito é porque buscarmos a libertação do sofrimento se é ele quem nos diz se estamos ou não vivos? Pra quê retirar do ser humano todo o sofrimento, se é essa dor e busca constante pela sua eliminação que o mantém correndo atrás da melhoria contínua dos seus processos internos? Abaixo, não exponho uma conclusão, mas uma intenção de lógica tentando demonstrar porque devemos perseguir este objetivo e porque ele é a maior meta da nossa vida.

LIBERTAÇÃO
Da mesma forma que todas as filosofias religiosas que conheço incitam a busca pela eliminação do sofrimento, elas também incluem nos seus princípios a busca pela libertação ou iluminação espiritual. Dizem para sairmos do pensamento individual e nos identificarmos com o Todo. Receber Cristo na nossa vida. Ou sermos tocados pelo Espírito Santo. Todas essas metáforas querendo demonstrar a nossa necessidade humana por liberdade. Eliminando o preconceito de se acreditar que as religiões são maiores que nós, seres humanos, ao invés de entender que elas são fruto do próprio ser humano, podemos, dizer que nós, mesmo que sem qualquer apego a uma filosofia religiosa, buscamos a liberdade. É o que nos leva a mudar de emprego e mudar de companheiro amoroso. A abrirmos um novo negócio e a fecharmos alguns também. É o que nos impulsiona a alterar alguns procedimentos da nossa vida para nos tornarmos melhor.

Mas o que seria essa liberdade? Acredito que não é sair de um emprego e ir para outro que garante a liberdade, pois logo após entrar em uma nova situação que parecia melhor que a primeira, enxergamos pequenos defeitos que nos fazem perceber novamente que ainda não conseguimos aquilo que queríamos: A liberdade. Vivemos em um labirinto para ratos sem saída? Quando a busca irá acabar e porque ela deveria acabar?

CÉLULAS DO UNIVERSO
É fácil perceber que cada um de nós, seres humanos, não somos iguais. Definitivamente. Somos diferentes em vários aspectos e um deles (para mim o principal), é a capacidade de servir. Uns servem muito bem aos outros com o trabalho que desempenham, pois se sentem completamente alinhados com aquilo que estão fazendo. Essas pessoas encontraram a sua posição no mundo e trabalharam dia após dia com o seu espírito, seu coração e mente naquele trabalho, se dedicando a fazerem algo melhor todos os dias. E para que o leitor não pense que está neste universo selecionado de seres (assim como o autor soberbamente um dia pensou), podemos dentre esses seres libertos, Jesus, Budha, Gandhi, como aqueles que realmente atingiram ou chegaram muito próximos da libertação. Nós, aqui de longe, ainda temos muitas idiossincrasias para resolver.

Temos assim, duas questões práticas para serem respondidas. A primeira diz respeito ao porque de se libertar e a segunda de como acelerar esse processo.

Para quê se libertar?
Da mesma forma que o nosso corpo possui células, poderíamos dizer que nós, humanos, somos as pequenas células deste planeta. Cada vez que uma célula investe sua energia para realizar tarefas que não tem competência para executar, ela perde um pouco da sua utilidade para o sistema. Uma célula responsável por manter a imunidade do corpo, não pode esquecer da sua tarefa por um minuto e não perceber um intruso chegando ao organismo. A célula defeituosa e sofredora não estava pensando no Todo que habitava, e sua falta de atenção provocou um desequilíbrio no ambiente onde ela própria vivia.

Nós somos como essa célula. A cada vez em que me preocupo mais com o meu sofrimento, digerindo minhas dores e agindo para resolver os meus próprios problemas, sem nenhuma ligação com o Todo, eu deixo de fazer a minha parte nesse Todo e não colaboro totalmente para o seu equilíbrio. Com o Todo em desequilíbrio, minha própria vida fica complicada de ser levada, pois outros problemas no Todo são gerados pela minha falta de atenção. Outras “células” passam fome, sofrem sendo jogadas na rua ou recebendo violência em suas vidas. Sofrendo constantemente não consigo andar para frente. É como estar sem grana e ter que sair para jantar com os amigos que tanto gosta. Acabamos priorizando ficar no trabalho até tarde chamando mais sofrimento para nós. Não nos libertamos e mais nos aprisionamos.

Só faz sentido se libertar porque é a nossa libertação que somará um “pontinho” ao equilíbrio do Todo que habitamos. O nosso planeta está sofrendo do jeito que está – e quando digo planeta incluo também nós, células dele – porque temos muitas (se não todas) células sofrendo muito. Precisamos ter consciência dessa dor. Compreender que ela existe e não fugirmos dela. Temos que encará-las de frente dia após dia, para podermos investigar suas causas e eliminar estas, não seus resultados.

Como acelerar o processo de libertação?
Agora que temos consciência do quão é fundamental nos libertamos para podermos servir de maneira integral ao Todo, vamos tentar compreender que o sofrimento é a própria e principal ferramenta da libertação. É o sofrer que nos aponta quais as origens do nosso sofrimento. Evidentemente, devido a nossa falta de atenção e perfeição, deixamos esses sofrimentos passarem despercebidos por nós para fugirmos deles ao encontro de novos prazeres até que eles nos saltam aos olhos novamente.

Nossos “inimigos” e nossos “convivas” são os melhores atores neste grande palco. Convivendo com eles, somos capazes de ver o resultado dos processos de dor que carregamos. Xingamos uma pessoa e andamos para frente ao invés de pararmos para refletir nas origens daquela manifestação de desafeto. Nos sentimos ofendidos por alguém, ou percebemos nossa mente entrar em “loop” para criticar algo, e seguimos nesse turbilhão de dor ao invés de pegar seu rastro de volta à sua origem.

Para acelerar a nossa libertação, temos que realizar um autoexame das nossas próprias dores. Momento a momento, tentar perceber o que há por trás daquela atitude e daquele pensamento. Enfim, perguntar-se: qual a razão das minhas dores? Quanto mais trabalharmos na descoberta e eliminação das suas causas, teremos mais capacidade de encontrarmos a nossa liberdade.

Para concluir, convido-lhe a pensar em algumas coisas que tenho pensado:

Como eu seria se a falta de dinheiro não me perturbasse nem um pouco? Como eu seria se tampouco a falta de alimento me trouxesse problemas? Como eu seria totalmente livre, andando pela rua, sem me preocupar se me matariam, roubariam ou beijariam? Como eu seria completamente livre de qualquer preconceito, de qualquer problema de autoestima e de qualquer sorriso falso? Como eu seria completamente livre?

Não serão as respostas que nos moverão para frente, mas sim, as perguntas.

Marcos Rezende

Orientador de produção textual na Mentoria da Palavra, graduando em Filosofia na UFPR com concentração em Lógica e Filosofia da Linguagem, desenvolvedor de sites em WordPress na Agência G13 e faixa roxa de jiu-jitsu brasileiro pela equipe Atos Loyalty Curitiba.

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