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Outro dia eu perdi tudo.

Perdi dinheiro.

Perdi casa.

Perdi família.

Perdi os amigos.

Quando dei por mim estava só.

De alguma forma eu havia guiado a minha vida para um lugar onde não existia ninguém.

Foi aí que comecei a me questionar a respeito das razões de eu ainda estar respirando.

Afinal, não existia mais nada para fazer.

Eu não tinha mais nada e continuava vivo sem motivo aparente.

Todas as coisas boas que eu tinha feito tinham sido apagadas pelos erros momentâneos que cometi.

Tudo o que eu havia ganho com o meu trabalho sumiu mais rápido que o tempo que levei para conquistar.

Tudo aquilo que eu imaginava que as pessoas pensavam ou sentiam sobre mim, se mostrou ser totalmente o contrário!

Por quê então viver?

Que sentido há em algo que não serve para nada, não te leva a lugar nenhum e não te dá nenhum retorno?

Estaria eu enganado?

Do nascimento até a morte

Nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e morremos.

Desde o momento que nascemos começamos a morrer.

Queremos viver felizes, mas uma situação ou outra sempre atrapalha a nossa felicidade.

Conversamos e expomos as nossas ideias, mas são nos momentos (pequenos momentos) de discussão que falamos e escutamos o que não devia.

E é assim até o dia que a gente morre.

Durante esse período vamos usando materiais para vestir o nosso corpo, nos relacionamos com outras pessoas, desde nossos pais até nossos filhos, e fica nisso.

Tudo passa e nada se mantém.

Daí enxergamos que estamos vazios

A roupa emprestada, o relacionamento na corda bamba e os filhos que saem pela porta da frente, nos dão aquele vazio.

Tudo está vazio.

Não levamos nada para lugar algum.

Ficamos o tempo todo em movimento, mas em nenhum momento estamos agindo.

E assim somos bolas vazias, cheias de nada, perambulando pelo planeta em busca de um sei lá o que.

Pensar nisso entristece, emagrece e faz com que a morte nos pegue mais rápido.

Afinal, de quê adianta estar presente em algo se no fim, estamos vazios.

Mas estar vazio é o que nos engrandece

Imagine-se sem nada.

Sem família, sem dinheiro e sem amigos.

Seja onde você estiver, perceba agora que provavelmente você só está carregando uma roupa pendurada no seu corpo, alguns papéis e cartões de plástico na carteira, um relógio no pulso, alguns enfeites na cabeça e só.

Reflita agora sobre o que você está fazendo.

Está lendo esse texto olhando para a tela de um computador ou um celular e sem fazer mais nada, perceba que todo o seu passado só existe nas lembranças que você decidiu guardar e que o seu futuro só existe nos desejos que decidiu cultivar.

O que você realmente é?

Você é um nada.

Uma grande bola vazia de nada lendo algo sem saber direito o motivo, da mesma forma que eu sou um nada escrevendo algo sem saber direito a razão.

Eu jogo as experiências para você enquanto você joga as experiências para mim.

Se encontrar nessa condição de vazio nos dá muito poder ao contrário do que eu, no início deste texto, imaginava pensar.

Se não temos nada e continuamos respirando é porque é esse vazio que nos mantém.

Nos mantém vivos para perceber que todo o resto que criamos de obrigações, quereres e culpas são frutos da nossa própria imaginação e não pertencem realmente a realidade dos fatos.

Que realidade?

A realidade de que somos meros balões vazios perambulando pelo planeta nos colocando em movimento para treinar esta real percepção da vida.

Falando dessa forma parece que eu já atingi um nível de perceber a cada segundo da minha existência esse poder do vazio, mas as lágrimas de dor das inúmeras perdas e a impotência da não conquista dos objetivos, me mostram que apesar de ter tido um lampejo do “segredo” para viver bem e feliz, na realidade eu preferia não estar mais por aqui.

Como diz o ditado popular “Deu pra bolinha”.

Mas se somos vazios porque fazer tantas coisas e se mover?

Esta resposta é mais complicada porque ainda não cheguei a uma conclusão.

Existe um ensinamento taoísta que diz para “agir pelo não agir” e que apesar de eu já ter refletido bastante sobre isso, ainda não aprendi o “segredo” por trás desse pensamento que tanto me cativa desde criança.

Parece que o seu poder só é despertado quando a todo momento você age pelo não agir.

Se em um momento determinado você agir, “babau”.

O mundo vira contra você e todo o poder que você acumulou praticando o “agir pelo não agir” vai por água abaixo.

Não é muito interessante que os nossos erros possuam um peso muito maior que os nossos acertos?

Não imagino que os criminosos durante toda a sua vida foram pessoas que só fizeram maldade.

Da mesma forma não imagino que eles hoje passem 99% do dia fazendo maldades.

O que acontece é que a maldade que eles cometem têm um impacto e peso muito maior que as suas bondades.

Por quê então viver e se mover?

Viver, na minha estreita concepção, é um exercício para que percebamos o que somos.

A única ciência que deveria ser estudada é a do autoconhecimento, pois é esta que garante poder infinito para cada um de nós.

As demais ciências são apenas distrações para o nosso intelecto e para a nossa imaginação.

Nos movemos e agimos porque temos desejo e culpa.

Vivemos porque somos curiosos em aprender o que há no vazio do balão que somos.

Cortar os pulsos, se jogar de um prédio ou tomar veneno terminam com a nossa busca e o balão que somos sucumbe a imaginação que cultivamos a respeito do futuro e as lembranças do nosso passado.

Foram tantas perdas que eu já perdi uns vinte anos de vida mesmo querendo viver até mais de cem anos.

E talvez seja essa esperança de viver que me mantenha vivo persistindo apesar das perdas.

Mais uma vez este espaço serviu mais como terapia para que eu continuasse vagando, do que como inspiração para aqueles que continuam como eu, soltos pelo planeta.

Sugestão de conteúdo complementar:

  • Método Mapeamento de Talentos que me ajudou no momento de virada da minha vida a tomar um rumo mais condizente com o meu ideal de trabalho.

Obrigado pela leitura.

Prossigamos.

Este post foi um oferecimento de:
Como Investir do Zero, o novo eBook sobre investimentos do Guia Invest.

Marcos

Um escritor dentro do corpo de um programador, apaixonado pelas letras e praticante de jiu-jitsu.

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