Como pode um negro, ex garçom e ex pastor, movimentar bilhões em sua empresa de criptoativos e não lesar ninguém?

Esquemas de pirâmides financeiras existem no Brasil desde o século passado e apresentam características específicas como: altos rendimentos a curto prazo, falta de um produto que justifique a movimentação dos recursos, a necessidade de entrada de novos clientes através de indicações e a ausência documental, como contratos.

 O caso mais famoso, foi a TelexFree, empresa condenada em 2015 por montar um esquema de pirâmide financeira e na época foi divulgado que a pirâmide financeira deve R$ 2 bilhões para cerca de um milhão de pessoas.

Em agosto passado, o assunto voltou a ser tema dos noticiários com a prisão do dono de uma das maiores empresas de terceirização de serviços de trader no mercado de criptoativos do país. Glaidson Acácio dos Santos, CEO da G.A.S. Consultoria foi detido no dia 25 de agosto, no Rio de Janeiro, após a Polícia Federal deflagrar a operação Kryptos, com o objetivo de desarticular uma suposta organização criminosa, responsável por fraudes bilionárias envolvendo criptomoedas.

A G.A.S. se tornou alvo da mídia após o programa Fantástico, da Rede Globo, veicular no dia 15 de agosto de 2021 uma reportagem sobre a cidade de Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro, ser considerada o “Novo Egito”, uma alusão a quantidade de empresas suspeitas de aplicar golpes de pirâmide financeira na cidade.

Entre as empresas citadas na reportagem, estava a G.A.S Consultoria, empresa com maior número de clientes e maior tempo de existência. Segundo a empresa, a G.A.S. atua há mais de nove anos no mercado de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum, entre outros, e paga aos clientes uma rentabilidade de 10% ao mês.

Após a reportagem sobre o “Novo Egito”, o Fantástico exibiu, durante quatro domingos seguidos, matérias exclusivas sobre a G.A.S Consultoria, se referindo ao CEO Glaidson Acácio dos Santos como “Faraó do Bitcoin”, e trazendo à tona o passado do empresário que é ex garçom e ex pastor.

Mas o que chama a atenção no caso da G.A.S. Consultoria é a ausência de clientes lesados pela empresa durante todo tempo de existência. Após a prisão do CEO da empresa, a G.A.S. continuou funcionando e pagando os rendimentos dos clientes em dia. A paralização dos pagamentos só aconteceu após a Justiça pedir o bloqueio de 38 bilhões das contas da empresa.

Milhares de manifestantes foram às ruas de cidades do interior do Rio de Janeiro e nas capitais do Rio, São Paulo e Distrito Federal em prol da G.A.S., afirmando não terem sido lesados pela empresa e pedindo à justiça não só a liberdade de Glaidson Acácio, como também a liberação das contas da empresa. “A mídia está falando que nós estamos aqui porque estamos com medo de perder nosso dinheiro, isso não é verdade. Estamos aqui por gratidão ao que a G.A.S. tem feito por nossas vidas. Assim como eu, muitos clientes hoje dependem dos rendimentos da empresa para sobreviver. O que estão fazendo com a G.A.S. é uma injustiça!”, afirmou uma das clientes.

Nas redes sociais, clientes acreditam na idoneidade da empresa e tem saído em defesa de Glaidson. Um dos que tem se destacado por fazer lives voluntárias no Instagram para acalmar os milhares de clientes é Luis Pontes, do Rio de Janeiro. Segundo Luis, “a G.A.S. nunca lesou ninguém, pelo contrário, a empresa prestava consultoria tecnológica financeira e nos apresentou o mercado de criptoativos. O próprio Glaidson nos orientava a buscar informações e conhecer os criptoativos, inclusive ele disse diversas vezes que era mais rentável que a gente comprasse Bitcoin e guardasse na leadger para vender daqui a quatro, cinco anos do que terceirizar os serviços de trader da G.A.S.”

A empresa não fazia nenhum tipo de propaganda, nem pagava por indicação. Para se tornar cliente era necessário conhecer a empresa através de um consultor autorizado. O cliente aplicava o valor mínimo de R$5 mil reais em um prazo de 24, ou 36 meses, registrado em contrato e recebia mensalmente 10% do valor aplicado, e no final do prazo resgatava o capital investido. “Nenhum Banco faz isso por nós. Muito pelo contrário, nos cobram taxas altíssimas”, afirmou uma cliente.

O que intriga a mídia é, como pode um negro, ex garçom e ex pastor conseguir montar uma empresa no mercado de criptoativos, movimentar bilhões e não ter lesado ninguém. Isso vai contra a lógica natural de esquemas fraudulentos.

Nunca houve na história uma pirâmide financeira que oferecesse um lucro tão alto e tenha conseguido pagar os clientes por tanto tempo. Matematicamente uma pirâmide não se sustenta por muito tempo exatamente pelo dinheiro não ser aplicado em lugar algum e ser proveniente apenas da entrada de novos clientes.

No contrato de prestação de serviços da G.A.S., a empresa informava que o capital dos clientes era aplicado em operações no mercado de criptoativos através de diversas modalidades de trading como: Day Trade, Scalp Trade, Arbitragem e Position Trade, de acordo com as análises feitas pelos profissionais da equipe de traders.

A realidade é que a G.A.S. Consultoria incomodou muita gente. Os produtos que a empresa se propôs a trabalhar, os criptoativos, não possuem regulamentação no Brasil, tão pouco são proibidos. E desde a criação da primeira criptomoeda, o Bitcoin, em 2009, o objetivo era que fosse uma moeda totalmente digital e criptografada que não dependeria de nenhuma instituição financeira para funcionar.

O Glaidson Acácio, CEO da G.A.S. Consultoria começou a operar no mercado de criptoativos em 2012, quando 1 unidade de Bitcoin valia menos de 10 dólares e nove anos depois, a mesma unidade de Bitcoin chegou a valer U$64 mil dólares, na máxima histórica registrada em abril de 2021, o equivalente a uma média de R$360 mil reais.

Segundo a reportagem feita pelo Fantástico em 29 de agosto, a G.A.S. Consultoria movimentou de 2015 até este ano R$38 bilhões de reais e este valor ultrapassou o que o Governo Federal gastou com auxílio emergencial em 2021.

Os clientes seguem pedindo por justiça, para que as contas da empresa sejam desbloqueadas e a G.A.S. possa voltar a pagar seus clientes.

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